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15-12-2000
O conteúdo no Call Center 
A Internet,
quem diria está virando no Brasil coisa de profissional.
Explico melhor: a Internet como ferramenta de novos negócios
está saindo daquela fase do "eu faço minha homepage
e tomo conta dela porque não quero gente de fora tomando
conta do que é meu". Que é uma certa doença
infantil da Web nos países em desenvolvimento.
Internet, ou melhor, gestão do negócio Internet, é
coisa de quem vive disso. De locar espaço em disco rígido,
de locar linha e acesso, de guardar e gerir banco de dados e prover
tudo aquilo para o cliente (ou seja, empresa) precise para usar
a Internet para fazer mais negócio no seu negócio.
Não de estar preocupada em up-grade de máquina, desenvolvimento
de ferramenta e uma série de coisa que só quem sabe,
entende e gosta é empresa de internet.
No passado, as pessoas chamavam isso de terceirização.
Não sei o nome disso na Web, mas o fato é que o negócio
Internet como ele é na essência, no setor de infra-estrutura,
está tomando forma, ganhando uma cara onde de, um lado, as
empresas que querem transformar a Web numa ferramenta de negócio.
E, do outro, as empresas que fazem isso como centro de seu negócio:
ou seja, local tudo que o cliente da economia real precisa. Isso
é o futuro: cada macaco no seu galho.
Esta semana, o Unibanco e o Bradesco entregaram sua área
de provimento de acesso à Web a uma empresa que será
gerida pela Portugal Telecom. É o sinal que banco não
precisa ter uma estrutura espetacular para estar na Internet. Loca
isso, gente, e vai cuidar do que é o seu negócio,
que é emprestar dinheiro. Se isso não acontece, um
certo dia a área de tecnologia vai ficar tão grande
que vira um novo negócio que o Banco talvez não saiba
gerir.
Tudo isso tem tudo a ver com o que vem por aí. Essa perspectiva
da gente ter funcionando e competindo empresas que locam espaço
para abrigar conteúdo de empresa é o que pode de fato
ajudar a que ela finalmente possa virar uma mídia. Criam-se
as condições de que esses enormes cofres vituais de
dados, que eles chamam de IDC, ajudem a empresas que querem usar
a Web, ou entrar firma na Web e não desejam ou não
têm tantos recursos para instalar uma estrutura dedicada só
para Web. Tende a virar um peso na empresa da economia real e não
um diferencial.
Se a gente olhar bem vai ver que ocorreram duas coisas nessa idéia
de transformar a Web num negócio. Um grupo entendeu de guardar
todos os seus segredos e ter um controle ou provimento próprio
de suas informações para atuar na Web. Ou outro grupo
entregou seus arquivos, fez copias de segurança e foi cuidar
de fazer na Web o seu negócio. E economizou.
No futuro, vamos ter as coisas separadas e funcionando. Gente comprando
serviços de gente que sabe gerir e proteger dados. É
isso que vai trazer a segunda fase da Web: ser produtiva e gerar
novos negócios e abri-la para que cada vez mais gente use
essa ferramenta.
Afinal, para que é que uma empresa que fez sucesso vendendo
roupa tem que ter uma mega estrutura operacional para usar a Web
para ampliar seus negócios? Termina atrapalhando o negócio
e a imagem da Internet como ferramenta de negócios. Ou seja:
cada macaco no seu galho digital.
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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