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16-02-2001
Wap, você usa?

Por mais que as operadoras de telefonia móvel se apressem em dizer que estão trabalhando firme no desenvolvimento de serviços na tecnologia (Wireless Application Protocol) WAP, quando a gente vai atrás dos números do outro lado, ou seja, dos números que indicam o uso efetivo dela pelo consumidor, se constata que ainda temos uma grande caminho pela frente até que essa forma de serviço vire uma necessidade.

Quem ler uma pouco a história da comunicação e da própria indústria de transformação vai ver que a industria seguiu dois caminhos. O primeiro, clássico, de satisfazer necessidades do ser humano. Depois, a de criar essa necessidade. Uma coisa, na verdade, depende da outra.

Primeiro se cria na consciência coletiva a necessidade de algo para uma melhor conveniência num mundo melhor. Depois apresenta-se uma solução. Com o tempo, as coisas se misturam e o aperfeiçoamento da idéia fazem a rodar a engrenagem da produção rumo à adaptação das necessidades do ser humano.

Certa, às vezes, a indústria erra e cria coisas que alguns gozadores chamam de inutilidades domésticas que nunca pegam. Ou que têm vida tão curta ou embutem uma tecnologia tão embrionária que se perdem no meio do caminho. Mas nos que geram filhotes melhores, a indústria com ajuda da comunicação, acaba vencendo e criando as necessidades.

O caso da Wap tem um pouco dessas coisas. Existe a necessidade do telefone na vida moderna. Do celular, mais recentemente. E ainda, mais recentemente, da Web. Nada mais lógico que criar a necessidade de que o telefone móvel casa com a Web. Certo, criam-se serviços especiais, insta-se os clientes para a necessidade desses serviços e se oferece soluções industrias para isso. Mas nem sempre o cliente entende. Ou vai na onda.

No caso do Wap, está claro que a tecnologia digital pelas vantagens competitivas ao analógico recente está consolidada. Que a Web como instrumento de disponibilizarão de informação está consolidada. Mas a junção dela com o aparelho sem fio, não. Ou ainda não.

Por mais esforço da industria, que quer vender ao mesmo cliente um novo produto para a mesma função, que a indústria de operação de telefonia móvel tente dizer que uma necessidade do consumidor (falo sempre do consumidor comum o que faz volume e justifica a produção em escala global), ainda não se emociona.

Na verdade, ele está impressionado com o design do aparelho, com as possibilidades e com a imagem de estar portando o que há de mais novo no mercado. Mas não usa. Ou não se beneficia, no nível como a industria sonha, para se manter no mercado. Não sente a necessidade.

Nada contra as potencialidades da Wap . Nada contra os belíssimos modelos disponíveis no mercado. Mas será que a gente deve achar justificável catar milho num teclado de 20 caracteres para ter uma informação que pode obter de outra forma clássica?

Esse é desafio da Wap, da tecnologia. Criar, de fato, a necessidade provando que ela é melhor do que existe no mercado e mais prático. Vencer o sério problema da ergonomia de escrever "te amo" sem ter que digitar nove caracteres quando num teclado faria isso com apenas seis.

E é isso que interessa à Web para ser o veiculo dessa tecnologia.

Porque, como industria da Web não produz aparelho e, sim, a possível utilidade para ela, se a gente não encontra gente que usa isso como veículo de massa, fica sem resposta à clássica pergunta "Para que serve?"

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas