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17-08-2001
Cross mídia não é dupping
Começou.
Ainda bem e já era tempo. Agências de publicidade e
anunciantes já analisam o meio Internet com um mídia
de potencial real. Já analisam como ela pode entrar na grade
geral de veiculação dos produtos. E algumas empresas
até já conseguem criar pacotes de produtos que incluem
o meio Web como meio e fim, mas, essencialmente, como ferramenta.
Esse
é o dado importante. O meio Internet já senta à
mesa de negociação como parte do processo. Não
é como nos tempos dos delírios em que muitos "nerd`s
digitais" munidos de laptops, plamtop e outras bugingangastop,
achavam que a Web era o negócio e que ela poderia comandar
o processo. Esquecendo que no mundo inteiro verba de publicidade
se divide assim: televisão, jornal, revista, rádios,
outdoor e vai por aí.
Agora
a conversa começa a ser séria. Certo, a TV leva a
parte do leão, jornal come sua picanha, a revista pode se
contentar com a alcatra e a Web vai trocar garfadas com o resto
para, no mínimo, ficar com o contrafilé pensando no
futuro ter direito a novas carnes nobres. E, justiça se faça,
do resto, ela é que tem maior potencial. Porque controla
melhor suas planilhas, vai aprender a medir melhor e, em tempo real,
sua audiência e quando ela ficar consistente, aí será
a hora de ver o que pode comer de quem.
O debate
sobre cross média, incluindo a Web, é bom porque serve
para desmistificar algumas leseiras que se disse por aí.
Primeiro, que a Web podia tudo. Depois, que não vai dar em
nada. E, finalmente, que ela é uma ferramenta espetacular
porque tem, naturalmente, instrumentos de avaliação
imediata. TV, jornal e até mesmo rádio não
tem como avaliar e processar seus números como a Web. Claro,
as grandes corporações podem, mas as pequenas empresas
não, e ficam sem argumento de vendas.
Se
a Web senta à mesa como interlocutor do processo, pode como
já se faz, ser ferramenta de marketing, portal de exibição
de lançamentos e call center de cliente em tempo real. Ou
seja, pode servir para dar ao cliente informações
sobre como o consumidor recebe o seu produto. E se as empresa fazem
pacotes juntando tudo, ótimo. Azar de quem não tem
um sistema completo de mídia. Ou não formou esses
pacotes juntando os veículos. Esse é o fundamento
do novo jogo. E que a Web está nele. E, felizmente, sentada
na cadeira próxima de quem decide.
Fazer
isso não é dupping. É juntar, como já
se disse, sinergia e não afastar alergias. Sem os deslumbres
do mundinho virtual que se pensou no passado recente, mas no mundão
real que quer fazer da Web uma ferramenta para ganhar mercado.
E,
se isso acontecer, aí tem jogo. Ou, quem sabe, churrasco
de picanha...
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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