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18-03-2001
Até agora, WAP só dá despesa

No país que compra as coisas mais pela onda do que pela necessidade, está virando moda trocar de celular a cada 12 meses, por conta da agregação das chamadas novas tecnologias que, por enquanto, servem mais às indústrias fabricantes de aparelhos do que ao consumidor.

A nova onda agora é trocar o "velho" aparelho digital, que voce comprou há pouco mais de um ano, por um novo com uma telinha maior que pode enviar e receber mensagens integrando o cliente (otário) na mais nova tecnologia de ponta, capaz de ser acessado com uma mensagem de texto convencendo o cliente que ele está no topo do mundo tecnológico moderno.

É uma tremenda leseira. Porque além de tentar provar que telefone celular serve para mais alguma mais do que você
falar em qualquer lugar, as empresas que se professam capazes de gerar conteúdo de seus sites também em Wap. Não é bem isso: até agora eles só servem mesmo para que você troque de aparelho enquanto aguarda um nova mudança de equipamento. No fundo, no fundo, o que existe hoje disponível em termos de produto WAP na Web é coisa de principante.

E como a indústria não brinca em serviço, o Governo brasileiro já deu sinal verde para que, no futuro, o usuário de telefone celular seja induzido a comprar um novo aparelho em função da adoção, a partir de 2002, da tecnologia GSM, que não combina com a atual tecnologia TDMA oferecida pelas TIM e pela BCP. O que significa dizer que para onde você se virar, no ano que vem fatalmente terá de trocar de celular novo, de novo.

Esse negócio acaba prejudicando a Web porque gera mais confusão na cabeça do freguês. Por que é que para acessar a Web melhor, eu tenho que comprar um novo telefone? E, afinal, o que é que vai ter nessa páginas? Esse discurso de informações diferenciadas, em tempo real e capazes de manter você permanentemente bem informado vai funcionar? E a publicidade? Ela será viável como afirmam os entusiastas?

O problema é que, seja em WAP, seja no monitor numa tela de cristal líquido ou do velho cinescópio, a questão da publicidade ainda continua sendo tão marginal como o que existe de anúncio da telinha do telefone celular.

Quando a gente mergulha para ver o que há de novo em termos de produto na Web, que oportunidades interessantes de negócios de mídia têm mesmo, observa que se tem feito muito. A maioria esmagadora das empresas da chamada Velha Economia ainda tratam o seu site como uma coisa distante. Coisa de um bando de meninos ou, de um cara mais falante ou antenado tateando para descobrir um jeito de, ao menos, pagar as despesas com pessoal. E para completar, as agências de publicidade não ajudaram muito em desmistificar as falácias ditas e impressas sobre a potencialidade do negócio Internet. E muito menos como será possivel faturar com o WAP.

O que se viu, até agora, é que ganharam dinheiro alguns espertos, as agências de publicidade (nos meios de comunicação tradicionais, já que elas simplesmente não aprenderam muita coisa sobre esse novo veículo) e um ou outro iluminado que vendeu sua idéia na hora certa. A galera que toca o negócio está tendo que amargar essa onda de pessimismo dos investidores e provar que isso vai funcionar.

Vai ser muito mais difícil do que se pensou no começo. E vai exigir muito mais profissionalismo do setor. Ainda bem, porque agora a gente vai poder dizer aos donos das "soluções mágicas" que a coisa não é bem assim.

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas