PreviewFirewallPreviewFirewallPreviewFirewallPreviewFirewall

18-05-2001
Apagão, Web e supérfluos

Vida difícil a da Web com esse racionamento que pode virar apagão. Vai ser vítima em nível maior que os chamados meios tradicionais (rádio e TV) por ser a mais frágil na hora da disputa por quilowatts/hora na conta do computador doméstico, que só agora chegou na sala ou no escritório doméstico das residências brasileiras.

Explico melhor: há uma certa paranóia energética instalada na cabeça do brasileiro por conta das noticias divulgadas na mídia e por conta da decisão do Governo Federal em mandar cortar um quinto de toda a energia consumida no Brasil a partir de 1º junho. E, por conta disso, o brasileiro, que é hiper sensível a qualquer tipo de onda, desandou a radicalizar no uso do interruptor desligando tudo.

Aparelho de telefone sem fio, relógio de cabeceira, quebra-luz de todos os cômodos, rádio AM-FM. É claro que, tudo isso, além de trocar todas as lâmpadas da casa, desligar o freezer, condenar ao exílio doméstico o microondas e amaldiçoar o ferro elétrico e o ar-condicionado e, é claro, o computador que ele ainda nem pagou a última prestação.

Na verdade, toda pessoa que ler o manual de operação de qualquer computador e do monitor de vídeo sabe que micro não é nenhum vilão na conta mensal de energia. Mas, na onda da desinformação, o cidadão assustado entendeu de baixar decreto redução geral de uso. E, como o computador é o item mais novo da lista e o que menos pessoas atende, ele será o mais sacrificado, Tradução: menos horas de uso e menos horas de acesso à Web.

E é aí que mora o perigo. A Web precisa reagir logo, se fazer necessária na medida em que pode ser um canal de informação diferenciado e de prestação de serviços. Enfim, se fazer indispensável e essencial. De não esperar o apagão.

Na verdade, a Web, depois do jornal, é o meio que mais potencial tem de se tornar uma referência. De ser um canal direto de informação, confirmação e formação de opinião. De abrir um leque de possibilidades tão grande que ganhe um lugar na sala de discussões. Então ninguém deve achar que o racionamento é o fim. Pode ser um importante instrumento de prestação de serviço ao publico nesta hora de sofrimento e indecisão. Mas tem que trabalhar duro e não esperar nem a próxima conta da companhia energética com seu limite de consumo.

Por isso, é hora de trabalhar duro. Sair pelo ciber espaço à procura de novos diferenciais e entupir. A palavra é essa mesmo entupir o internauta de informações, gráfico e tabelas para ele saber quanto será o furo no bolso até porque a um clique do mouse ele pode imprimir aquilo que interessa. Então, mãos à obra ou aos teclados.

O racionamento é um desafio: tende a reduzir o volume de hora/homem ao micro, mas pode ser uma chance espetacular da Internet. Agora cabe a nós não deixar essa chance. O jornal tende a levar vantagem, mas só sai no outro dia. A TV é impactante, mas como o dia só tem 24 horas ela tem que ser seletiva. O rádio carece de maior profundidade por que não pode falar muito de números. A Web não, ela junta tudo e mais alguma coisa.

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas