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18-08-2000
Profissão:
desenvolvedor de Web

Deu,
esta semana, no informativo on-line do site do RHI Consulting: os
desenvolvedores de Web estão entre os profissionais mais
procurados no mercado internacional. Atualmente, conforme disseram
ao instituto americano de caça-talentos, numa pesquisa feita
com 1,4 mil diretores de tecnologia que comandam companhias com
pelo menos 100 funcionários essa é a profissão
do agora. Ou seja: está em alta o currículo do homem
que junta o potencial de negócios de uma empresa comum com
as facilidades da Internet. Tudo isso com vistas ao objetivo de
transformar a rede mundial de computadores numa mídia rentável.
A situação
profissional de gente que "pensa" Web cresceu tanto de
importância que as novas empresas estão literalmente
caçando talentos em tudo quanto é empresa da velha
economia para reciclar esse cara iniciado em informática
para introduzir a corporação na Grande Rede.
E não
está facil. Semana passada, uma comissão especial
do Congresso norte-americano propôs que as empresas que se
queixam da falta de profissionais no mercado de tecnologia da informação
dêem mais atenção ao talento feminino. Pode
parece estranho que na Meca da Web, onde gente como Carly Florinda
da HP, pilota uma empresa que, só no segundo trimestre deste
ano, lucrou US$ 1 bilhão, o Congresso tenha que se pronunciar.
Mas isso é verdade. Porque, além do preconceito contra
a mulher, está faltando gente qualificada mesmo.
E o
Brasil, o que faz para isso? Com exceção do Programa
Nacional de Informática na Educação, que visa
levar mais computadores às escolas e já instalou 33
mil equipamentos em 3 mil escolas estaduais de ensino fundamental
e médio, pouca coisa se fez. Mesmo que, em 2001, esse número
chegue a 100 mil micros e cubra 10 mil estabelecimentos de ensino,
como pensa o ministro Paulo Renato, é muito pouco.
O problema
é que a falta de profissionais bem treinados para operar
nesse novo mundo da Web onde computador virou ferramenta e educação
virou insumo, simplesmente ainda não é assunto de
Governo.
Na
verdade, a sensação que se tem hoje, ao ver o tom
da conversa entre as autoridades ainda é de deslumbramento
com os gráficos de coluna e pizza nas animações
de datashow via PowerPoint. Mas, afora as empresas que estão
catando talento no tapa, quem no Governo está investindo
esforço para a ampliação de formação
de profisisonais?
Não
se deve achar que as ilhas de excelência serão suficientes.
Ou a gente entra nessa briga juntando dinheiro e começando
a falar de um grande programa de formação de gente
de nível médio superior e pós-graduado para
atuar nos negócios de Internet ou a gente vai se distanciar
ainda mais de tudo que a gente está vendo na rede.
Internet
não é mais moda de gente jovem que se exibe conversando
no IRC, em inglês. Virou negócio de empresa grande
corporação mundial e assunto de política de
Governo que pensa no futuro. Se a gente não pensa assim,
a chance do Brasil de dar salto de concorrências já
era.
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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