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20-04-2001
Sem-Web nem sempre são ETs
O desejo
de se firmar como mídia e como um canal efetivo de transformação,
despeito dos seus números, audiência, negócios
efetivos etc, ainda provoca abordagens equivocadas e que, às
vezes, podem até provocar mais atrasos do que avanços
na captura de clientes, parceiros e investidores.
Nos últimos meses, ficou claro que nem a Web gera os negócios
que todos desejam e, felizmente, gasta muito menos dos que alguns
megalomaníacos anunciam. No tempo do chamado de dólar-Web
fácil, muita gente danou-se a dizer que estava com audiência
de tanto, que estava contratanto gente com salário de tanto
e que estava investindo tanto num delírio que estragou o
negócio depois que a Nasdaq foi para o espaço (ou
para o fundo do mar) e todo mundo achou que era o começo
do fim.
Não era verdade. Nem os megalomaníacos estavam gastando
tanto, nem era o fim do negócio. Era um ajuste normal. Mais
ou menos esperado por quem estava com os pés no chão.
E que, naturalmente, iria resvalar no Brasil. Porque os números,
pelas projeções, nem o Fernandinho Beira-mar com seus
colegas internacionais conseguiriam tanta rentabilidade. Assim como
não era verdade o tamanho que a Web no Brasil iria ter a
audiência e nem a massa de gente pendurada regularmente no
período que eles literalmente chutaram.
País com renda per capita baixa e gente sem casa, sem terra
e sem micro, não podia responder em termos de negócio
tomando-se apenas os números do IGBE. Tinha que dar um freio
de arrumação que só a partir de agora começa
a dar uma certa idéia do mercado que vamos ser no futuro.
Vamos seguir o caminho dos países mais escolarizados e com
renda mais altas. Mas numa velocidade compatível com a nossa
economia. Não dá para pensar em crescimento de internautas
brasileiros à velocidade de Internet 2.
Vamos ter que nos contentar com os nossos minguados 128 Kbps. E
isso não é ruim. Vai dar para primeiro colocar Internet
na empresa, fazer um pouco e consistente negócio com o B2B,
avançar se o governo quiser com ela na escola (usando plataformas
de desenvolvimento abertas, é claro) e ir ocupando o mercado
doméstico nas medidas que foram possíveis.
Portanto, não dá para sair por aí dizendo que
quem não tem Web é um ser extra-terrestre. Não
porque isso não seja verdade. Mas porque acaba afastando
gente que estava querendo ser terráqueo moderno.
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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