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21--07-2000
Ó
o auê aí ó

No
dialeto da turma do surfe, a expressão "ó o auê aí ó" quer dizer
que tem barulho se aproximando da galera da praia e que é preciso
ficar atento.
Sem
querer pegar carona nela, mas essa idéia do Governo de Pernambuco
de criar um Porto Digital é um desses barulhos que a rapaziada (rapaziada
do Pacto 21?) bem que poderia dar uma força para espalhar o barulho
com consistência para que decide.
Explico:
Porto Digital, Tecnologia de Informação, Cesar, Radix e empresas
de base tecnológica não acontecem por acaso e não surge da noite
para o dia. Tem que ter referência, história de acerto no "nicho"
de pesquisa que evoluirá para atividades aplicadas e que funciona
na economia real. Aqui isso deu certo.
Hoje
é chique o Governo do Estado pegar uma carona nisso, aproveitar
a dificuldade do Centro de Informática da UFPE e se expandir e abrigá-lo
num prédio tombado no Centro do Recife conferindo ao núcleo
de excelência um chame "noir" de se pensar informática e produzir
conhecimento entre paredes de mais de 100 anos.
Mas
até se chegar a isso se ralou muito. E se venceu barreira ideológicas
terriveis dentro da nossa conhecida diversidade política. Ninguém
deve esquecer que o pesoal do Centro de Informática sofreu muito
com as patrulhas ideológicas quando decidiu catar dinheiro fora
do Orçamento Geral da União.
O motivo
dessa divagação histórica é para dizer que é preciso que a gente
de Pernambuco comece a verbalizar que temos um projeto com começo,
meio e fim. E que temos como objetivo gerar conhecimento e dinheiro.
Gerar negócios dentro da nova economia a partir da base tecnológica
que temos aqui.
É
preciso vender o conceito de que, mesmo que, com a Web, o conceito
de sede tenha se universalizado, é preciso que da Web para fora,
o imposto seja gerado aqui no Bairro do Recife. Isso, hoje, por
conta da distância da nossa excelência tende a ser perseguido
e copiado pelo demais governos com muito mais recursos.
Mas
isso abre um desafio enorme, a nível de Governo do Estado, que é
o de colocar toda essa ilha de excelência a serviço do contribuinte.
De "logar" a 'ninguensada' que paga imposto nessa belezura de mundo
digital.
De
colocar polícia, escola e posto de saúde dentro da Web e reduzir
custo da máquina administrativa do Estado com melhoria dos processos
de gestão a serviço do cidadão comum e real.
Projetos
de forte apelo financiero como o Porto Digital tendem a servir de
modelo pelos demais estados. O desafio dos estados mais pobres,
como os do Nordeste, é virá-lo para a direção do contribuinte
pobre e criar formas de colocá-lo no mercado digital.
Para
que computador, Internet e tecnologia de informação vire ruído
de comunicação. Ou seja: de fazer barulho e alertar a galera: ó
o auê aí ó.
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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