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21-09-2001
Ataque no e-commerce

As empresas que investiram pesado no segmento de e-commerce já sabem que o ataque aos Estado Unidos vai ter o efeito de um míssil de efeito retardado nos seus negócios por causa da onda mundial de proteção contra atos de terrorismo.

Vai ser uma porcaria. Na rabeira do medo de um terrorista ou grupo tomar avião e transformá-lo numa bomba voadora, todos estão revisando procedimentos, checando volume por volume, verificando prodecedência e destino e vendo o que tem dentro pelo raio X.

E isso vai fazer explodir todo o sistema de logística montado até agora e que foi criado em cima da idéia de despacho rápido, paletização e entrega na porta do cliente. Está muito ruim porque agora a orientação é o procedimento padrão. Com check list sistemático, verificação de procedência integral e preenchimento de toda a documentação. A conseqüência vai ser traduzida em atraso nas entregas ou necessidade de mais tempo para a entrada nos sistemas de remessa.

O problema estoura primeiro nas companhias de aviação. Vai ser uma barra embarcar num aeroporto americano daqui para frente. Vai haver uma brutal queda na taxa de produtividade das empresas e presença de passageiros nas salas de espera. Isso quer dizer que um avião para decolar vai precisar mais hora homem para ser preparado.

O caminho da desgraça para as empresa de e-commerce começa aí. Como avançar nas soluções de despacho rápido e cronometragem de entregas? Vai ser preciso mais estoque e mais gente para gerir uma massa de mercadorias maior. E aí o custo vai para o espaço. E, na ponta final, o consumidor vai ter que esperar mais ou ir na hora mesmo comprar o que lhe interessa.

Os efeitos para a Web ainda não estão definidos, mas as pessoas já sabem que vem aí uma perda geral para sentir o rumo do vento. Na verdade, ninguém sabe aonde vai bater mais. Mas já se sabe que teremos menos vendas de equipamentos, embora o tráfego possa até aumentar com as empresas preferindo fazer mais operações via Internet, restringindo ao máximo as viagens. Deixando o contato físico apenas para as solenidades. Isso pode ser uma coisa boa porque mais negócios pela Web exige mais retaguarda. Mas quem garante que vai ser assim?

A esperança é que a economia reaja com suas forças. A Internet tem sido uma ferramenta espetacular para que as empresas se protejam do ataque resguardando seus dados. Mas ela não será suficiente para parar o tranco que o setor vai sofrer. E, nesse caso, quem apostou tudo na idéia de aumentar faturamento com a venda de produtos pela Internet vai ter que redirecionar todo a estratégia. As margens curtas podem simplesmente tirar muita gente do mercado.

E tomara que todo o mundo esteja errado.

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

 

Coluna atualizada às sextas