PreviewFirewallPreviewFirewallPreviewFirewallPreviewFirewall

24-06-2001
Condenando-se a ser importador

No começo do abril, o Governo, através do Ministério da Desenvolvimento Econômico, chamou os representantes do setor eletroeletrônico para uma conversa sobre o futuro da atividade no Brasil que, a despeito do sucesso de mercado com a disponibilidade de serviços de telefonia e Intenert para mais de 30 milhões de pessoas, estava detonando a nossa balança comercial do setor.

Na verdade, a importação de componentes para a indústria de telecomunicações estava superando, nos últimos quatro anos, até a compra externa de derivados de petróleo.

No ano passado, por exemplo, quando os preços oscilaram entre US$ 25 e US$ 30 o barril, o déficit do complexo eletrônico superou o do petróleo e de seus derivados em US$ 1,6 bilhão. Na verdade, todo sucesso do crescimento das empresas de telefonia tinha mesmo era construído um espetacular déficit comercial de US$ 6,4 bilhões. Ou seja: no ano 2000, o buraco na conta petróleo foi de 4,8 bilhões.

Bom, mas retornando à conversa do ministro Alcides Tápias. O Governo pediu e o setor respondeu com a proposta de um cronograma de nacionalização de componentes. Traçou-se um calendário de que até 2006 o Brasil substituirá o México os Estados Unidos e os países asiáticos na produção de componenetes eletrônicos.

A meta era ousada mas se tinha condições econômicas estruturais necessárias. Base de produção, mercado interno e pessoal com escolaridade básica o País tinha. Tudo certo, acertou-se uma série de rodadas técnicas. Aí sabe o que aconteceu?

O mesmo Governo, através de outros ministérios é claro, autorizou a reduação da alíquota de importação para os mesmo componentes eletrônicos de 14% para 2% com o "democrático e justificável" motivo de que era para baratear os preços do micros para atender ao programa social do Ministério da Educação de permitir o acesso a Internet à população com computador barato. Ou seja: implodiu o que o Ministério do Desenvolvimento Economico tinha organizado.

Ou seja, em lugar de preparar o Brasil para ser uma base exportadora, o Governo preferiu abrir as portas da importação de tudo quanto é peça importada para que se monte computador barato. Ninguém pediu isso numa rodada a Organização Mundial de Comercio, não! O Governo foi que querendo fazer politica barata é que detonou a possibilidade de o País produzir e gerar tecnologia no setor. Preferiu ter um "programa democrático" de venda de computador de baixa qualidade pela possibilidade de ser uma base mundial de produção.

Aí a gente pergunta: dá para levar um Governo desse a sério?

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas