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24-08-2001
Linux para os excluídos
Conversa
bonita do Steve Balmer no Brasil vendendo o peixe (ou os softwares)
da Microsoft dizendo que a companhia está iniciando uma série
de investimentos no País no sentido de poder gerar também
aqui tecnologia no setor e ressaltando a importância estratégica
do Brasil para o negócio da sua empresa no futuro. Mas o
CEO de Bill Gates distoa (como, aliás, vem fazendo pelo mundo)
quando diz que o Linux é um clone que copia a tecnologia
da Microsoft e que, por isso, é dado quase de graça.
Pode
ser. Afinal as interfaces do Linux têm mesmo uma inspiração
nas janelas do Windows que, como se sabe, tem inspiração
nas janelas do Macintosh. Mas, se nem a Suprema Corte Americana
consegue provar que a Microsoft não faz pressão demasiada
sobre os seus concorrentes, por que a gigante está tão
preocupada com o pequenino Linux?
Sem
querer ensinar Padre Nosso a vigário, parece claro que o
sucesso do Linux não é só porque ele é
um clone barato dos sistemas da Microsoft, mas porque ele é,
na verdade, o caminho para o que os nerds da Web chamam de inserção
no mundo digital dos países e suas populações
subdesenvolvidas ou, como se dizia no passado, países em
subdesenvolvimento.
O que
certamente assusta a empresas gigantes como a MS e suas parceiras
é que, se o Linux virar padrão em países de
terceiro mundo, toda a lógica de crescimento do mercado na
Web estará modificada.
Qualquer
pessoa que se der ao trabalho de pesquisar nos sites de buscas informações
sobre o Linux nos últimos dois anos vai ver que a grande
imprensa (inclusive a da Web) sempre tratou Linux com uma enorme
desconfiança de suas possibilidades, de que era apenas um
brinquedo de meninos de universidade, que jamais as grandes corporações
iriam dispensar atenção a esse clone do Windows. Só
recentemente, quando o clube do Linux ganhou adeptos importantes,
a mídia passou a lhe dar atenção e tratá-lo
com respeito econômico.
Isso
aconteceu com as big blues do setor de informática. Inclusive
a MS. E só agora, quando o Linux ganhou status de sistema
operacional corporativo, a conversa mudou e tende a engrossar. E
sabe por quê? Porque o Linux é um produto competitivo
para quem não pode pagar tão caro pelo estado da arte
dos produtos Microsoft. Nada contra os belíssimos produtos
da MS. São espetaculares. Só aquelas caixas transparentes
em que vem agora o da Linha 2000 e XP são formidáveis.
Mas, e o preço?
Esse
é o único defeito. O Linux é mais barato e
faz o básico e aí se cai naquela velha questão:
seu produto é tão bom que eu não tenho sequer
condições de tê-lo aqui na minha casa. Talvez
no futuro quando eu deixar de calçar sandálias eu
possa comprar o seu Reebook.
Isso
parece ser o fundamento no jogo dos países pobres. Com o
Linux, eles poderão entrar na comunidade Web e, quem sabe
no futuro, poder sonhar com o estado da arte.
E a
gente da Web deve mesmo é estimular a turma do pingüim.
Porque serão eles quem vai dar à Internet massa e
robustez para ela virar um mídia de fato.
E,
sinceramente, eu acho que isso é muito mais importante do
que as reclamações do pessoal da Microsoft.
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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