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25-05-2001
Com crise, a Web cresce
Deu
no IDGNow!: no mês de abril, os internautas brasileiros navegaram,
em média, 10,4 dias, cravando um aumento de 9,5% em comparação
com março. A conta foi feita pelo Instituto de Pesquisas
Júpiter Media Metrix que cata a audiência do pessoal
pendurado na Web e tudo mais.
O total de visitantes únicos, segundo a avaliação
nas 10 regiões metropolitanas brasileiras, a partir de casa,
foi de 5,8 milhões. Ou seja: gente que se pode chamar de
usuário doméstico. Por dia, esse número é
hoje de 2,0 milhões, que é um crescimento de 13,4%
comparado com março.
A Júpiter
Media Metrix calcula o Brasil tinha 10,5 milhões de internautas
no final do ano passado e este ano, se não chover, a previsão
é de 16 milhões. Em 2006, o instituto estima que teremos
34 milhões. Gente navegando por aí e catando coisa
nova. Certo, mas o que é que se pode concluir daí?
E o que é que poderia explicar um aumento de quase 100%?
Esse é um importante aumento de audiência da mídia?
Uma
olhada no histórico do noticiário do Brasil dá
algumas pistas. Abril foi o auge da crise dos senadores Antônio
Carlos Magalhães e José Roberto Arruda e quando o
País viveu uma espécie de catarse democrática
com todo o mundo (exceto a Bahia de Gal Costa e Zélia Gatai)
querendo comer o fígado, o coração e o cérebro
dos dois. Todo mundo achava que ele ia renunciar, que o José
Roberto Arruda ia tomar uma posição decente, depois
de admitir aquela maracutaia que fez. Todo mundo esperando os sites
de últimas noticias estourar com um texto de um autopunição
dos dois rapazes espertos. Noutras palavras: no mês de abril,
a Web tinha um apelo e um diferencial do tempo real. Da informação
mais completa que o rádio, mais consistente que a televisão
e mais recente que o jornal que só iria chegar impresso no
outro dia.
As
pessoas que vivem da Web talvez nem percebam, mas o cidadão
comum, aquele que apenas acessa a Internet para, literalmente, saber
das novidades, ainda está vivendo uma certa sensação
de "pequena soberba intelectual" com seus pares, valendo-se
de alguns truques nessa nova mídia.
Coisa
como entrar na página de notícias, capturar a informação
mais recente, compilar algumas outras notas e formar um juizo de
valor para que, na roda de amigos, algumas horas depois, lhe der
o prestígio de estar bem informado.
Isso,
para a gente que vive de catar notícia e reprocessá-las,
é um coisa comum. Quase sem emoção e até
mecânico. Mas, para o homem mediano, o internauta que liga
o computador e se informa, é uma sensação de
poder inenarrável. De apresentar-se mais preparado.
Foi
por isso que um fato como a Crise do Senado e, agora em maio, a
Crise da Energia, pôde se transformar numa alavanca para a
Web se consolidar como uma mídia de verdadeiro potencial.
Parece claro que, este mês, a audiência vai dar um novo
estouro porque essa crise permitiu à Web se apresentar como
uma coisa nova e diferente e que dar ao cliente ávido por
notícias.
O desafio
é dizer isso ao anunciante. Provar para ele que, estando
o internauta interessado na informação de qualidade,
lhes seja oferecido uma oportunidade de consumir. Ainda não
é fácil, mas a Web tem mostrado que tem potencial
e que é um integrador de informação qualificada.
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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