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26-12-2000
Infecção digital
A gente
fica aqui reclamando dos spams, das mensagens chatas que nos mandam,
com aquele monte de lixo digital que não temos qualquer interesse,
protestando contra o desrespeito do direito de não ser incomodado
por mensagens que podem até conter vírus, desses que
entram nos sistemas de nossas máquinas e destróem
tudo, e não damos muita atenção ao fato do
que as pessoas estão fazendo com nossa identidade de correspondência
digital que a gente chama de e-mail.
Certo,
que na Web, democraticamente, tudo é permitido. Até
o direito à privacidade e à garantia de segurança
de transferências de nossas informações em sistemas
de cirptografia, mas não existe muito cuidado sobre o que
as pessoas fazem com a nossa identidade digital. A gente até
pode argumentar que por ser nova, a Internet não tem um sistema
jurídico de preteção de diretos civis. Isso
está sendo reescrito agora, mas a base é o direito
impresso ou documentando com papel. Na verdade, a jurisprudência
digital ainda está sendo escrita. É por isso que é
difícil definir parâmetros do que terceiros podem fazer
com nossos dados.
Outro
dia descobri, por e-Mail, que já fazia parte de um espetacular
banco de dado de e-Mails que o sujeito estava a fim de me mandar,
pelo correio, com pelo menos dois milhões de endereços
eletrônicos. Mais de 300 mil empresas e não sei quantos
milhões de endereços que eles capturaram não
sei onde e quando. Fiquei impressionado com a cara de pau do sujeito
que chamava isso de marketing interativo.
Essa
coisa tem a ver com a idéia de acesso grátis na Web.
Sempre disse aqui que Internet boa custa caro. E tem que ser paga
porque, de graça, as pessoas se julgam com o direito de fazer
o que quiser com os seus dados.
Em
muitos países, Brasil no meio, as pessoas são bastante
acessíveis à idéia de juntar seus dados num
único arquivo. Ou num único banco de dados. Tendem
a permitir que ele seja reutilizado ou enviado a outros bancos de
dados e um belo dia descobrem que seu nome está mais divulgado
que fama de prostituta nova. E que legalmente não podem fazer
nada.
No
fundo, o que o consumidor precisa é de um pouco de respeito.
De garantias que seu endereço e seu cadastro de dados pessoais
não possam estar trafegando para fins que não se sabe
para que. Por isso talvez seja interessante que a partir da gente
mesmo, o internauta que tiver chance de mudar seu e-mail expressamente
não autorize o uso dele para qualquer comunicação
que não seja autorizada. Não vai dar para se proteger
dos spams. Mas vai ajudar a que muito picareta não tente
ganha dinheiro com o seu nome.
O cara
que compra um CD de e-mails não tem mesmo beneficio nenhum
pois, no geral, spam todo mundo joga fora. Até por medo de
vírus. Mas uma atitude mais fime pode reduzir o número
de gente desonesta que ganha dinheiro com quem pensa ganhar dinheiro
oferecendo alguma coisa pela Internet. A médio prazo, isso
desinfecta a rede.
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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