28-08-2000
Olha eu aqui

Está na Web nos sites sobre tecnologia da informação com base na avaliação do Ibope Monitor: as empresas ponto com despejaram na mídia tradicional na menos que US$ 280 milhões na primeira metade do ano. Isso mesmo: 6,3% de tudo que a economia brasileira pôs na mídia para mostrar seu produto.

Se a gente fizer uma conta simples e dividir isso pelo número de internautas brasileiros estimado por outros institutos que acreditam estarem pendurados na Web algo como sete milhões de consumidores vamos ver que as empresas gastaram US$ 40 tentando fazer com que cada uma dessas pessoas lhe veja na grande rede.

Se a gente estratificar só os provedores de acesso que despejaram perto de US$ 164 milhões numa desesperada corrida por clientes veremos que, em média, um cliente custou pelo menos US$ 23.

Salvo o faturamento das agências de publicidade, que este ano terão seu melhor período da década, o negócio pontocom está chegando num nível preocupante porque a chamada Quarta Mídia simplesmente não existe sem a Primeira Mídia, a Segunda Mídia, a Terceira Mídia...

Porque não tem base de audiência.

Não surtiu efeito nas empresas o alerta de gente pesquisando o potencial de negócios da Web nesses primeiros anos de vida real de que não basta anunciar, tem que dar sentido prático ao que é anunciado.

Mais cedo ou mais tarde, vai ficar claro para os anunciantes da economia real - que são a outra perna do sistema de comunicação - que, apesar do barulho que as agências de publicidade fizeram sobre o negócio novo da Internet, o potencial de retorno ainda está comprometido pela falta de acesso a essa mídia.

Não se trata de ter ou não propaganda boa na Web que, como todo mundo sabe, é um desafio que as agências simplesmente ainda não sabem como tratar. Trata-se de anunciar numa mídia que ainda perde para mídias complementares.

Talvez, por isso, esteja sendo comemorada a decisão dos bancos em financiar micro para seus clientes e amigos dos clientes com a desculpa de oferecer relacionamento e facilidade ao home banking. Deveriam ir mais longe. Um micro básico, com 64 mega de RAM para evitar logo a primeira febre do upgrade com a lerdeza de um computador e apenas 32 mega como existe hoje na praça e, fiado a perder de vista. Para empurrar micro na galera mesmo.

Hoje estão pendurados nos bancos perto de 30 milhões de brasileiros que podem carregar um talão de cheques. Esse talvez seja o primeiro nicho a ser atacado, depois o universo de clientes das empresas da economia real que apostam na Web como canal de negócios futuros e o resto dona de casa, estudante universitário, torcedor de futebol e membros da Igreja Universal etc.

Porque à medida que os site tentam ser vistos na Web apenas calçando sua estratégia nas mídias tradicionais, eles apenas cavam sua própria sepultura digital. Porque, no momento, as agências de publicidade só têm feito umas coisas bonitinhas para atrair o freguês e esqueceram o principio de que, sem micro, o apelo simplesmente não se emociona.

É como aquela jóia de US$ 10 mil na vitrine da H. Stern - a mulher vai lá, vê pelo espelho, sonha, dá um suspiro e vai embora comprar uma bijuteria no quiosque do shopping center mais próximo.

Até semana que vem.

*Fernando Castilho (castilho@jc.com.br) é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios no Jornal do Commércio, de terça a domingo.

Coluna atualizada às sextas