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30-06-2000
IDH,
educação e Web

Saiu,
esta semana, o novo Índice de Desenvolvimento Humano, mais conhecido
por IDH, no qual o Brasil sobe de posição e se inclui entre os países
medianos. Portanto, bem abaixo de países que para a gente deveriam
estar na rabeira da lista, mas que fizeram o dever de casa de jogar
mais dinheiro na educação, que tem tudo a ver com desenvolvimento,
conhecimento, acessibilidade à nova economia e Internet.
Há a constatação de que foi o esforço na educação que fez o Brasil
ganhar algumas posições. E há a constatação de que os países que
estão fazendo isso são os que mais estão ganhando posições nesse
ranking.
O Canadá está no topo porque tem um sistema educacional próximo
ao que todos países (Estados Unidos no meio) queriam ter, pela seriedade
com que trata a educação básica. Como objetivo de Estado mesmo,
assim como trata também a questão da segurança e da assistência
médica. Não é potência, não é o paraíso, mas é o país que muitos
pensadores brasileiros acreditam ser de fato um modelo a ser seguido
pelo Brasil.
Mas voltando à questão da Educação. O crescimento dos investimentos
públicos em educação no Governo Fernando Henrique talvez seja mesmo
a única coisa que tenha tido um norte. Pela briga do ministro Paulo
Renato em perseguir índices aceitáveis de matrícula escolar, de
controle da qualidade das universidades através do Provão que, justiça
de faça, apesar da leseira das organizações estudantis e de esquerda,
consolidou-se como um referencial.
Porque muita gente já percebeu que é muito ruim ter freqüentado
um curso que levou um conceito E, apenas porque alguns idiotas decidiram
não responder à prova, zonar do questionário e detonar a
qualidade do curso. Conceito ruim no Provão acaba perseguindo o
currículo do aluno a vida inteira. O que, por pressão dos alunos,
forçou a que dezenas de escolas se equipassem melhor. Mas o que
isso tem a ver com Web?
Potencial
de crescimento, de acesso a informação via computador na escola,
acesso a bibliotecas inimagináveis para um aluno da periferia, acesso
a uma massa de informações que nenhum país do terceiro mundo terá
se tentar fazer isso sozinho. Na verdade, IDH, Educação e Web combinam
direitinho porque um pode ajudar o outro.
E qual o desafio?
O desafio está ficando colossal. Por conta da penúria do Estado
brasileiro em poder contratar gente. É aí que a porca torce o rabo.
Ou melhor, será aí que o fio do mouse enrolará e poderá
cortar a ligação com a CPU.
É que os Estados estão sem poder contratar professor, sem poder
contratar instrutor para treinar professor na Internet. Porque estão
sem poder gastar nada com treinamento de pessoal. E aí? Como responder
ao desafio de disponibilizar Internet para alunos da rede pública
de forma que isso não seja apenas uma venda de microcomputadores?
O Banco Mundial financiou um sistema integrado de informações gerenciais
(SIIG) para que o Governo Federal pudesse controlar o desempenho
das Secretarias de Educação nos 27 estados. O projeto é maravilhoso,
desenvolveu-se um banco de software específico, montou-se
o sistema no prazo combinado, mas sabe o que está acontecendo?
Tá faltando gente para operá-lo e retirar dos banco de dados informações
que possam gerenciar melhor os recursos gastos. Porque os Estados
não podem contratar pessoal para cuidar disso e nem gastar com treinamento
dos servidores que dispõe.
Esse é o problema. Educação combina com Web, que reflete no IDH
brasileiro mas não pode perder o bonde da história. Ou a gente define
que investimento em educação não representa despesa no OGU ou a
gente não avança muito. E no final do e-mail, prejudica até a chegada
de mais gente na Web, que, como se sabe, precisa de gente cada vez
mais alfabetizada.
Até semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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