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26-10-2001
O desafio de
crescer na crise

Administradores,
consultores, analistas e pitaqueiros de plantão estão
cada vez mais assustados com os últimos números de
performance das empresas genuinamente pontocom que, a despeito da
audiência crescente, enfrentam cada vez mais dificuldades
de se firmar como mídia, canal de negócios no varejo
e ferramenta de trabalho de prestadores de serviço.
É complicado. Num cenário de crise, as empresas tendem
a concentrar mídia e maximizar a rentabilidade. Isso faz
com que, no desespero, as agências e seus mídias concentrem
as verbas de forma a que os produtos e projetos ganhem mais visibilidade.
E isso tende a excluir novas mídias. Some-se a isso uma outra
tendência das empresas na suas áreas de distribuição
que é de apostar em ações de promoção
direta com seus clientes, inclusive reduzindo as verbas de veiculação.
Aquilo que alguns chamam cross mídia, ou, um pouco mais,
fazer da mídia uma ferramenta de apoio à distribuição.
Esse cenário é complicado não só para
Web, mas para rádio, o outdoor e o jornal. Todo mundo está
perdendo negócio porque o negócio está ficando
menor. Ou na área de comunicação está
todo mundo se fechando. E, nesse cenário, nasce o paradoxo
de que, enquanto a audiência na Web cresce com o aumento da
base de desktop, especialmente na área residencial, ela não
consegue vender isso. Ou seja, ganha musculação e
robustez, mas não consegue sair da mesada dada pelos veículas
tradicionais.
Isso tende a criar problemas de manutenção de equipes,
de projetos de atualização e modernização.
A Web, pela primeira vez, terá que pensar em criar com menos
dinheiro, menores equipes e melhor rentabilidade.
É esse o cenário que as empresas mais profissionais
estão trabalhando e pensando o ano 2002.
Porque, até na hora de desmobilizar, muita gente perdeu dinheiro.
Milhões de dólares na América foram desperdiçados.
Na hora de fechar departamentos, dezenas de empresas simplesmente
despacharam suas atividades sem cuidar dos produtos que estavam
sendo gestados. Resultado: milhões de programas e rotinas
estão perdidas e sem perspectivas de lucros. Muita gente
na hora de desmobilizar, jogou os softs básicos ou de produtos
de performance sem se preocupar em cuidar bem do que já estava
quase pronto.
Por isso é que sempre vale a velha lição: vão-se
os anéis e ficam os dedos. Vão se os profissionais
de periferia e ficam os desenvolvedores de Web. Para que no futuro
eles possam fazer a diferença. Em síntese: se é
hora de cortar o deferência, é cortar com segurança
e preservando os bons galhos e aqueles com potencial de floração.
Um velho publicitário sempre diz que a melhor técnica
de venda é um produto melhor. Por isso, é que as empresas
de Web devem não esquecer que mesmo com a involução
dos investimentos e redução de quadros, deve-se pensar
sempre em ter em produção um produto melhor. Porque
a crise não é eterna. E, quando ela acabar, quem tiver
mais capacidade de produzir diferencial vai ter condições
de crescer. E, quando isso acontecer, a Web terá mais mídia.
Até
semana que vem.
*Fernando
Castilho (castilho@jc.com.br)
é jornalista há 24 anos e assina a coluna JC Negócios
no Jornal do Commércio, de terça a domingo.
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