26-06-2000
Incubadora de software livre

Semana passada, uma notícia passou desapercebida pelos principais veículos informativos de tecnologia brasileiros. A incubadora de tecnologia do governo do Rio Grande do Sul (IETEC) lançou um edital para incentivar empresas cujos modelos de negócio estejam baseadas em tecnologias opensource.

Assim que tomei conhecimento do fato, repassei a informação para alguns colegas que trabalham em incubadoras Internet e com investimento de capital de risco. Recebi em troca vários e-mails com a sucinta pergunta: "Como eles pretendem ganhar dinheiro?".

Tentei responder a todos de forma clara, porém não taxativa. Afinal, não existem fórmulas prontas para um bom empreendimento (eu mesmo estou muito curioso para saber detalhes das empresas que irão se constituir). Mas deixei clara minha opinião: existe uma grande oportunidade de negócio nessa área.

Fiquei tentado a responder os e-mails de forma irônica: "Ora, como qualquer outra empresa: vendendo produtos e prestando serviços!". Claro que não fiz isso, pareceria muito antipático de minha parte. Mas minha intenção era apenas mostrar que uma empresa opensource é igual à qualquer outra. Necessita de investimentos, equipe com expertise no assunto, conhecimento do mercado, cronogramas, metas etc. E tudo isso gera lucro se a administração do negócio for competente o suficiente.

Quando Richard Stallman idealizou a Free Software Foundation ele não estava preocupado em um novo modelo de negócio e, sim, com a liberdade e a democratização do conhecimento. Porém isso não significa nem a inviabilidade comercial de empresas baseadas em software livres nem que é imoral explorar comercialmente esses softwares.

É importante frisar que as empresas opensource que estão surgindo continuam contribuindo junto com a comunidade para a democratização da Tecnologia.

Contato:

IETEC - Vicente Zanella

 

Coluna atualizada às segundas