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02-02-2001
Grana agora e estudo para depois?

Trabalho e dinheiro. Basicamente é o que desejam 9 entre 10 estudantes diante da porta de saída da faculdade. E no Pernambuco envolto em tecnologia digital, a urgente necessidade de emprego não tem passado despercebida.

Bem antes dos esforços governamentais de fomentar a tal nova vocação do Estado, as faculdades trataram de incentivar seus garotos a se tornar empreendedores. Em outras palavras: fazer projetos, cair no mercado e montar uma empresa. Uma atitude digna da moderna ordem de criação: gerar produto, gerar receita, gerar emprego, gerar lucro e gerar mais produtos.

Exemplos não faltam para provar que o incentivo universitário frutificou. O Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), que funciona dentro do Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco, hoje reúne 187 pessoas. E 70% saíram do própio CIn. Mais: a maioria veio direto da graduação, em troca de um salário cuja média é de R$ 2,8 mil.

Empresa fomentada dentro do Cesar, o Radix é outra prova da farta captação do valor criativo dos pernambucanos na área de TI. Dos 120 funcionários, 70 têm ligação com os cursos de informática.

Isso sem falar nos recém-formados em Informática que têm ido direto para multinacionais como a Microsoft, nos Estados Unidos.

Tudo lindo, belo e maravilhoso? Beemmmm... A princípio, o leitor mais atento poderá mirar o futuro e levantar o questionamento: E o lado acadêmico de Pernambuco? Se todos estão partindo logo para o mercado de trabalho, a quantas vão ficar os cursos de Informática se não se fomentar o desejo da pesquisa e do repasse do conhecimento?

Até agora esse problema parece não passar só de um mero questionamento. Pelo menos, para o CIn. Recente levantamento do Centro mostra o contrário: saltou de 10% para 30% o número de estudantes interessados em fazer mestrado no local.

O detalhe é que esse pessoal pode estar dividindo o mestrado com a empresa. E, aí, os estudos podem ficar mesmo em segundo plano. Que o diga um exemplo vindo do Radix: o de próprio criador, Pedro Falcão. Fruto da tese de mestrado de Falcão, o Radix virou um bem-sucedido site de busca, ampliou e hoje reúne nada menos do que quatro empresas. A tese, no entanto, até agora não foi concluída.

 

Coluna atualizada às sextas