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05-01-2001
A química dos cinco sentidos
também na Web

"You're just too good to be true / I can't take my eyes off of you". A música que virou hino nos anos 60 e que no início da década de 90 balançou a juventude brasileira - que, inspirada na minissérie Anos Rebeldes, terminou dando vez e voz aos 'caras-pintadas' - já pode ter uma nova versão e significado. Quem sabe, ao invés de "can't take my EYES", "can't take my NOSE off of you".

Pode parecer loucura, mas os cientistas e produtores de Tecnologia da Informação não cansam de inventar moda. A novidade agora é deixar o micro cada vez mais próximo de preencher os cinco sentidos humanos. A máquina já fala, já vê, permite que seus usuários se 'toquem' à distância (lembra aqueles PCs que a Playboy mostrou no ano passado, que incrementavam a velha história do sexo virtual?). Agora só falta sentir gostos. É... Porque até cheiros os computadores ligados na Internet começaram a sentir e transmitir via web.

Um grupo de gringos tarados pelo desenvolvimento de novas tecnologias criou um dispositivo chamado iSmell (trocadilho com "eu cheiro", em inglês). O troço parece uma barbatana de tubarão, ou uma quilha de prancha, com uns 10 ou 15 centímetros de altura, vários furinhos no corpo e é capaz de simular mais de dois mil cheiros diferentes. É através dele, e de um software desenvolvido especialmente para o iSmell, que alguns privilegiados estão aromatizando a Net. Os primeiros dispositivos começaram a ser vendidos por US$ 200 e a RealNetworks já anunciou que as futuras versões do RealPlayer já vão circular na Rede com o 'dom do aroma'.

É até relativamente fácil entender o funcionamento do dispositivo. Da mesma forma como uma impressora combina micropontos e produz milhares de cores e tonalidades, a tal barbatana tem esse refil de odores básicos que se combinam exatamente como as cores primárias, podendo imitar cheiros encantadores - como o perfume do ser amado -, ou menos agradáveis, como suor, chulé ou flatulências (hehehe!), se assim quiser o remetente virtual.

Não há dúvidas de que o mecanismo vai esquentar as transações de comércio eletrônico. Imagine entrar num site especializado em entrega de comida e escolher o prato pela água na boca que o cheiro dá. Ou então comprar aquele perfume novo que você viu nas páginas da Elle, à venda só no Japão, e que se não tivesse sentido o aroma pela Internet talvez nunca o tivesse incluido em sua coleção de favoritos.

Nessa semana, o presidente Fernando Henrique Cardoso participou de um teste de 'nariz eletrônico' que vai ser usado para medir a qualidade do petróleo e seus derivados. Não é o iSmell, mas tem funções parecidas.

Utilidades à parte, o bom do iSmell é mesmo a possibilidade de brincar com os nossos sentidos pela Web. O que vai ter de internauta se apaixonando 'pelo nariz' - ao invés de pelo 'estômago', como apregoavam nossas avós - não dá nem para imaginar! É levar a química do desejo ao pé da letra e, num futuro próximo, ao extremo dos cinco sentidos...


 

Coluna atualizada às sextas