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06-10-2000
Brasil no mundo do cinema digital
Bons
ventos soprando no cinema nacional, mas não necessariamente
na tela grande. O País realiza, pela primeira vez, o Brasil
Digital - Festival Brasileiro de Cinema na Internet, um evento dedicado
para a exibição da produção nacional
feita em qualquer bitola (35mm, 16mm, 8mm, VHS, HI-8, DV) e com
duração de até 10 minutos, que acontece na
Web nacional a partir de 20 de novembro.
A realização
de um festival desse porte pode surpreender quem não acompanha
esse tipo de produção no Brasil. Mas o próprio
site do evento ajuda a mostrar o volume de filminhos digitais já
feitos no País, com grande espaço para divulgar também
o que é produzido ao redor do planeta. O recado é:
depois de fazer sua inscrição, não deixe de
passar na seção de links, só pra ter uma idéia
do que está em produção e à mostra por
aí quando o assunto é cinema online.
Aliás,
o período de inscrições vai até o dia
14 deste mês. As categorias são e-cinema, que inclui
ficção e experimental; Animatec, para obras feitas
com qualquer técnica de animação, inclusive
GIF Animado e Flash e .DOC, referente a obras de abordagem documental.
Cada pessoa pode inscrever até três trabalhos. Os dez
melhores de cada categoria serão classificados para a etapa
final.
Alguns
fatores podem explicar a ocorrência do Brasil Digital justamente
agora. A disseminação da Web nem é o motivo
principal, mas sua profissionalização e o desenvolvimento
de novas e aprimoradas tecnologias servem como pistas da criação
de um contexto onde caiba um festival como esse. Câmeras de
vídeo digital, softwares de edição acessíveis,
crescimento dos sistemas de streaming video, por exemplo, deram
fôlego à produção do microcinema, uma
das denominações para o cinema online exibido na Web.
O Brasil
Digital aproveita para jogar mais lenha na fogueira sobre a existência
e autenticidade do cinema produzido na ou para a Web. A tão
propalada interatividade da Rede terá vez no cinema online?
Por natureza, ele elimina sala escura, telona e pipoca :), mas terá
poder de acrescentar outros artifícios à sétima
arte? Ou será que ele já merece ser chamado de oitava
arte? E o espectador: ele pode se contentar com um monitor de 14"
e conexão 33,6 Kbps?
Bem,
se a própria Internet não tem leis que a regulamentem,
sua identidade e características estão sendo delineadas,
o público é mais do que variado, ainda é cedo
para ter respostas definitivas para qualquer uma dessas perguntas.
O melhor de tudo é que elas estão sendo feitas, o
debate está acontecendo e isso é fundamental para
ampliar o conhecimento. Prova disso é que, há alguns
meses, escrevi neste mesmo Prompt um texto
comentando a iniciativa norte-americana de produzir o webfilme Quantum
Project. Quem reparar, vai perceber que houve uma mudança
de minha opinião entre esta coluna e a anterior - pois é,
continua grande a distância entre a telona e a telinha...
Acesse:
www.brasildigital.org
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