08-09-2000
Puro oba-oba

Apagar é deletar; copiar pode ser escanear; reiniciar é dar o boot. Que os termos da Internet já fizeram o vocabulário de muita gente, normal. Até porque, para quem trabalha diariamente com a Tecnologia da Informação é natural o uso de palavras relativas a esse mundo. Assim como é para médicos, advogados, em seu meio. E, autocrítica seja feita, jornalistas conversando com os coleguinhas.

Em papo de jornalista, é normal que surjam aqui e acolá, lead, deadline... Sem falar em palavras em bom e curto português como olho, gravata e sutiã que, apesar de facilmente reconhecidas pelos ouvidos dos leigos, ganham um significado especial no meio jornalístico. Toda profissão tem seu vocabulário, portanto.

Mas querer que um cidadão escute e entenda - logo de cara - todo esse jargão é esperar demais. Até mais: é ser esnobe e simplemente mostrar que o outro não entende patavina alguma enquanto você é o sabe-tudo. E, nesse cenário, há exageros - sempre existem!!

Que o digam os médicos que, ao tratar com seus pacientes - lá, estirados numa cama e com cara de quem só quer entender o que se passa com seu corpo - ouve algo como cefaléia em vez de dor de cabeça; carcinoma no lugar de câncer; deambular para andar (pelos corredores do hospital!!). Com todo esse vocabulário, é difícil para o doente acreditar que não esteja com alguma enfermidade grave.

Assim como alguns médicos e advogados que gostam de mostrar toda a sua sapiência, há empresários, gente do ramo de informática, que desfia para leigos nomes como startup, expertising, cluster, ecossistema, plataforma. Discursos em situações nas quais o que o interlocutor mais deseja é se fazer entender.

Em meio a esse leque neologismos do mundo moderno, o cidadão, para parecer moderno, se dana a usar palavras do universo digital. Recentemente, uma propaganda governamental dizia: ... uma rede de computadores online (:)). O publicitário queria colocar o 'moderno' termo online e acabou resvalando para a pura e simples redundancia...).

Mas, pior do que cometer tropeções lingüísticos e cheios de boa vontade, há quem profere - de propósito - palavras para alguns poucos letrados ou nada dizem para absolutamente ninguém! É a velha maneira de querer falar bonito, difícil, para enganar a falta do que dizer.

 

 

Coluna atualizada às sextas