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-08-2000
Escravidão, doce e digital escravidão
Você
dorme e acorda pensando em Dreamweaver, ASP, Servlets? Seu sobrenome
já é arroba alguma-coisa.com? Conversa mais pelo ICQ com sua namorada
do que pessoalmente e acha que algumas pessoas deveriam ter um Ctrl+Alt+Del
embutido? Não se preocupe. Se você ainda não está falando apenas
com os algarismos 0 e 1, pode ser apenas mais um dos que vivem as
agruras e prazeres de estar construindo a Internet que o público
vê: os escravos da Web.
Quem
vive dela (ou, muitas vezes, já mudou totalmente seu endereço) provavelmente
deve estar meio confuso com tamanho rebuliço que vem tomando conta
da Rede nesses últimos meses. Quem está de fora - e isso é possível
- sabe que, mais cedo ou mais tarde, vai perder a virgindade virtual.
Empresas de todas as áreas estão migrando para o mundo digital e
carregando junto uma leva de profissionais e criando outros tantos,
atraídos por propostas de crescimento rápido.
O que
muita gente que apenas navega, sem maiores traumas, não sabe é que,
para funcionar, por via de regra, esses profissionais (webdesigners,
jornalistas, webmasters, programadores - e a lista tem crescido...)
terminam se acorrentando ao trabalho, que precisa de atualização
constante e frenética. Muitos deles vão para casa (casa? E isso
existe?) e continuam presos à máquina, pensando soluções, checando
links, terminando de ler os e-mails do dia e tendo pesadelos intermináveis,
até que chega novamente a hora de estar em frente ao micro. E o
pior de toda prisão é quando ela é voluntária.
Muita
gente contesta essa euforia, mas os números revelam que o setor
de Tecnologia da Informação é um dos que mais cresce no mundo. Estima-se
que nos Estados Unidos existam pelo menos 1 milhão de vagas. Porém,
com a chegada de novas tecnologias, também será exigido muito mais
dos profissionais.
Por
causa desse mercado tão aquecido, ser um 'operário virtual' virou
a primeira opção de muitos. A mídia, de certa forma, criou no imaginário
popular que quem trabalha na Web deve ter necessariamente um perfil:
ser jovem, descolado e ficar milionário (isso não é mau!).
Mas
existe o lado não tão doce na vida desses escravos. Por causa da
concorrência, os profissionais da Web terminam tendo baixa estabilidade
no emprego, pouca vida social e nem sempre conseguem tempo para
se reciclar. A mesma homepage que te abriga pode te engolir. Por
isso, a cautela é a palavra da ordem nessa nova economia, na qual
as relações profissionais tendem a mudar ainda mais. Ah, e uma pesquisa
internacional também revela que são poucos os que recebem os tão
ansiados salários astronômicos.
Se
você ainda não foi convidado para trabalhar em um site, não se desespere.
O bonde da história, ao que parece, não vai passar assim tão rápido.
Muita coisa ainda vai procurar o seu eixo. E não duvide se o formato
da Internet e de seus profissionais forem outros absolutamente diferentes
daqui a alguns meses. Por isso, se pretende entrar nesse mercado,
prepare-se para trabalhar em excesso, perder vários fios de cabelo
e noites de sono, e, ainda assim, ser totalmente apaixonado pelo
que faz.
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