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16-06-2000
Momentos de decisão
O brasileiro
que tem celular e é ligado - o mínimo - em notícias vive momentos
de expectativa. Afinal, pelo menos uma vez na semana saem informações
na mídia especializada em telecomunicações, informática ou economia
sobre a revolução que está vindo no setor de telefonia móvel. E
que mudará a forma como a gente ainda enxerga o aparelho. Uma revolução
com três pontos, discutidos de um só vez: pelo celular,
será possível enviar e receber mensagens; será possível acessar
a Internet; e por fim, vai haver mais operadoras no mercado, concorrendo
com as bandas A e B.
Cabeça
embananada? Então, vamos por partes. Primeiro, vem o serviço de
mensagens curtas (SMSMO), que vai permitir o envio direto de mensagens
de um celular para outro - sem precisar entrar na Internet. Em Pernambuco,
a BCP estréia o serviço no final deste mês, limitado a 150 caracteres.
A TIM também deve anunciar, até o início de julho, novidades em
Internet móvel. Mas não adianta treinar as mensagens com seu telefone:
nem todo aparelho é apto. Só os equivalentes à série 'i' (da Nokia).
Como toda novidade, chega mais caro: custa em torno de R$ 450. Essa
é a primeira etapa.
Uma
segunda etapa acontecerá no segundo semestre, quando operadoras
devem estar com suas plataformas ajustadas para acessar a Internet
e os fabricantes colocam nas prateleiras aparelhos aptos ao protocolo
WAP (de aplicações sem fio). Para ter um acesso à Internet no visor
do celular, o usuário pagará ainda mais: algo em torno de 800 a
1.000 reais por um novo aparelho.
A intenção
das operadoras é gerar mais tráfego. Afinal, acessar notícias, checar
e-mail, jogar pela Internet, custa ligação. E cara; horas de acesso
à Internet por telefone fixo podem sair por apenas 6 centavos, enquanto
um minuto no celular custa, no mínimo, 28 centavos - valores nos
horários mais baratos oferecidos pelas operadores. O aumento no
tráfego não é à toa. Hoje as operadoras
se ressentem pelo fato de que o celular é utilizado por muitos como
apenas um aparelho receptor - levam o aparelho pra todo canto, mas
com a única intenção receber mensagens.
Outra
intenção das empresas é manter os clientes. Por que? Porque o mercado
será um mais feroz. Além das exigências crescentes do consumidor,
as operadoras sentirão a concorrência da banda C, que deverá entrar
em ação no próximo ano. Mas, até lá, o mercado viverá momentos decisivos
- a Anatel, por exemplo, anunciará, agora em agosto, o padrão
em que vão funcionar as futuras operadoras. Essa definição
implica tanto na direção em que os fabricantes irão tomar quanto
no comportamento do Brasil no mundo das telecomunicações: se pende
para o modelo norte-americano ou o europeu.
Desse
cenário de definições, algumas conclusões já dão para
ser tiradas:
1. Quem quiser entrar na Internet móvel terá que gastar mais e,
logo de cara, trocar o aparelho.
2. A Internet oferecida inicialmente no celular não terá a qualidade
a qual estamos acostumados.
3. Os celulares vão facilitar a vida de muitos, mas não substituirão
os desktops. Motivo simples: a qualidade e potência não são
as mesmas. E motivo mais óbvio ainda para nós, brasileiros: os aparelhos
e as ligações custam mais. Duvida? Então, olhe em volta e veja quantos
possuem notebook ou handheld - produtos que estão no mercado já
há algum tempo -, em contrapartida ao número daqueles com micro
de mesa.
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