19-05-2000
Livro ainda vive. E muito bem!
Com
a invenção do computador e, principalmente, após a criação da Internet
e dos e-mails, muitas pessoas chegaram a afirmar que o papel se
tornaria rapidamente coisa do passado. O livro, então, seria algo
que ficaria esquecido no século XX.
Pois
bem, a democratização da Web teve início em 1995 quando ela deixou
de ser uma rede acadêmica e ganhou o mundo, e a sua "popularização"
em nada abalou o mercado editorial. Muito pelo contrário: nunca
se publicou tantos livros quanto agora. Criou-se muita expectativa
em torno da revolução tecnológica que a chamada Era Digital implantaria.
No entanto, o que podemos observar até agora é a convivência de
certa forma harmoniosa entre o novo e o antiquado.
Apesar
do marketing agressivo que é feito na Rede, pesquisa recente mostra
que o uso do papel está aumentando. Tanto que tem empresas, como
a IRB - The Print Company, dispostas a investir alguns milhões de
dólares para faturar com esse mercado que os "vanguardistas" da
década de 80 já haviam condenado.
Nada
substitui o prazer de se ler um livro deitado numa rede na varada
de casa. Mas, ao mesmo tempo, passar a tarde escrevendo cartas sem
ter que se preocupar em ir aos Correios postá-las e tendo a certeza
de que foram entregues, também é agradável. O que se vê hoje é que
o digital é prático e rápido, mas nada vai substituir o romantismo
do papel.
"Mas
quem precisa de romantismo?" perguntariam os mais céticos. Talvez
por existirem tantos que pensem assim é que o mundo digital está
invadindo a literatura. As maiores livrarias do mundo como a americana
Barnes & Noble já lançaram suas versões online. Autores best-sellers
como Sydney Sheldon já entraram na onda digital e comercializam
versões eletrônicas dos seus livros.
A
leitura digital ainda vai levar algum tempo para ser digerida pelo
internauta brasileiro, mas nomes de peso como João Ubaldo Ribeiro
já começaram a "namorar" essa quarta mídia. Na semana passada, Ubaldo
anunciou que a partir de junho estará disponibilizando seu primeiro
"livro" escrito especificamente para a Web. Trata-se do romance
Miséria e Grandeza do Amor de Benedita, lançado numa joint-venture
entre editora Nova Fronteira e a loja virtual Submarino.
Ubaldo
é o primeiro escritor de renome nacional que lança uma obra exclusivamente
na Rede. Até agora, a quarta mídia estava sendo explorada por iniciantes
- que não conseguem publicar seus livros - ou por vanguardistas,
como é o caso do jornalista José Teles, que há pouco mais de um
mês começou disponibilizar a sua novela A Menina que Apagou a Estrela
só para a hipermídia.
É a
era digital invadindo a literatura tupiniquim. Só o tempo dirá se
os livros digitais substituirão o papel, mas já pode se afirmar
que, caso isso venha a acontecer, não será da noite para o dia e
os nossos netos e bisnetos ainda vivenciarão o prazer de ler um
livro real.
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