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26-01-2001
Girl's power

Como se não bastasse o IBGE ter anunciado para os quatro ventos que há mais mulheres que homens no Brasil (uma proporção exata de 96,6 deles para cada grupo de 100 garotas), agora são os institutos de aferição da Internet que começam a mostrar que no ciberespaço a realidade não é muito diferente.

Em seu último relatório, referente ao mês de dezembro, o Jupiter Media Metrix divulgou que 48,5% dos internautas brasileiros (cerca de 5 milhões de pessoas, segundo a empresa) são do sexo feminino e 51,5% do masculino. Já o Ibope afirma que de um universo de 9,8 milhões de internautas, respondemos por 42,7%.

Os homens continuam sendo maioria, é bem verdade. Mas o 'clube da luluzinha' virtual está crescendo. Em meses anteriores, segundo o Media Metrix, a participação das mulheres girava em torno de 45%.

Esse 'surto feminino' na Rede pode ter várias explicações. Primeira: está crescendo o número de donas-de-casa que começam a deixar de lado as atribuições do lar para dar uma navegadinha - nem que seja para buscar uma receita nova no site de Ana Maria Braga.

Segunda: há cada vez mais mulheres no mercado de trabalho pontocom e, numa situação socio-econômica como essa, não há como não tomar a Web por aliada (é decidir entre tê-la como parceira ou montar a trincheira para iniciar a batalha contra ela, com direito a bandeira e tudo mais).

Terceira: está aumentando o número de jovens (leia-se meninas jovens) que se lançam na Web em busca de relacionamentos, conversas, compras e algumas outras coisas virtuais - que estão super na moda, vale ressaltar. Quarta: todas as hipóteses anteriores.

Explicações à parte, o fato é que esse público já está começando a demarcar seus territórios no ciberespaço. Sabe as supracitadas executivas pontocom? São elas que estão adaptando o conteúdo dos sites e portais para atender aos anseios femininos, às vezes tão discriminados e relegados a segundo plano.

São centenas de sites com conteúdo proibido para 'os cuecas', que atraem um número cada vez maior de internautas, que, por sua vez, clamam por mais sites, que cativam mais meninas...

E, assim, a Web finalmente começa a justificar sua condição feminina por derradeiro e até por determinação lingüística (lembra aquela conceito gramatical de gênero?).

Portanto, animem-se, mulheres. Se não podemos mudar o fato de sermos maioria no mundo real (e isso significa que sempre haverá avulsas. No mínimo quatro em cada grupo de 100), pelo menos no ciberespaço poderemos reverter a ordem das coisas e impor um sistema menos machista. Será nossa chance de mostrar que pilotar fogão, definitivamente, não é o que sabemos fazer de melhor.

 


 

 

Coluna atualizada às sextas