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04-07-2001
Desesperança e alento

Tem
coisa mais cômoda do que fazer previsão? O sujeito
analisa as condições, coloca uma cara de entendido
e solta o número. Quem vai contestá-lo? Não
existem dados concretos para refutar o que se disse, o objeto do
comentário ainda não virou fato.
A sensação
diante de muitas das perspectivas relacionadas à Internet
nos últimos anos é que são feitas assim. Alguém
ou alguma empresa solta uma previsão, que logo será
amplamente divulgada, e a gente fica sem saber como é que
aquele número apareceu.
Agora
mesmo andam dizendo que conteúdo gratuito na Web é
inviável. Que é um modelo de negócios com cada
vez menos adeptos nos próximos anos. Pobre dos internautas,
que sempre acreditaram que a nova mídia poderia finalmente
ser democrática. É verdade que somente o espaço
publicitário não é suficiente para garantir
a existência de um portal de acesso gratuito. Mas excluir
a possibilidade de gratuidade da Rede é demais.
Outro
estudo, este brasileiro, diz que 93% dos usuários não
acreditam em privacidade online. E tem aquela previsão de
que 70% dos projetos tupiniquins de governo eletrônico vão
dar errado.
Para
os que ficam melancólicos com tanta notícia ruim,
uma esperança: segundo o consultor Jack London, 70% das pesquisas
sobre Internet feitas nos últimos anos são infundadas.
Não deram em nada. Não refletiram a realidade. Simples
previsões no ar. Em época de tiroteio de números,
o internauta pelo menos tem o alento de acreditar no que quiser.
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