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25-04-2001
Credibilidade abalada

O País ficou boquiaberto com a violação criminosa do sigilo do painel eletrônico de votação do Senado. Além de abalar a instituição política brasileira, fica em xeque a credibilidade dos sistemas de Informática.

Não houve falhas, ficou claro no depoimento da ex-diretora do sistema de processamento de dados do Senado, Regina Borges, e do senador José Roberto Arruda (PSDB/DF). O que houve foi determinação política. O sistema foi modificado com a ajuda de um técnico da empresa que fez a instalação do painel para que fosse possível o acesso aos dados sigilosos.

Isso só prova mais uma vez que a tecnologia está sujeita a ser distorcida e usada para qualquer fim. É o mesmo com a invasão de sistemas de Informática por hackers, o roubo online de documentos secretos ou a invasão de sites. No caso do Senado, a violação foi a serviço de um interesse político mesquinho que, para o nosso bem, foi levado a público.

Qualquer sistema de Informática, por mais seguro que seja, pode ser modificado, principalmente se a alteração puder ser feita a qualquer momento pelas empresas mantenedoras. Depois de uma notícia dessas, é até compreensível que muitos internautas deixem de confiar em lojas virtuais, bancos pela Internet e outros que tais.

O episódio abre um precedente para o público leigo que vê um exemplo de tecnologia sem segurança suficiente para guardar dados importantes. O painel eletrônico que controla os votos secretos do Senado era tido como infalível.

Como se vê, falhas tecnológicas nem sempre são um problema técnico, mas um problema ético.

 

 

Coluna atualizada às quartas