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28-11-2001
Polícia da Internet?

Eles
estavam precisando de uma desculpa e conseguiram. A desculpa: a
guerra contra o terror. O que conseguiram: legitimidade para rastrear
e-mails e dados da Internet inteira. Quem são eles:
o FBI, a Justiça norte-americana, os Estados Unidos, enfim.
A nova
lei dá aos EUA um poder de polícia internacional da
Internet. Um poder que não foi concedido por ninguém
mais. Podem ser abertos processos sobre qualquer ato considerado
crime que, em sua trajetória pelo ciberespaço, tiver
passado pelos Estados Unidos.
Ora,
estima-se que 80% do tráfego da América do Sul, Ásia
e África utilizem a infra-estrutura da Web norte-americana.
A simples troca de e-mail entre duas pessoas no Brasil pode usar
a jurisdição dos Estados Unidos. É ou não
ser amparado pela Justiça para investigar suspeitas
de qualquer coisa, em qualquer lugar?
A proposta
é ter poderes para processar e caçar hackers estrangeiros
e, em conseqüência, combater o terrorismo. A sociedade
norte-americana, com medo de ataques de qualquer espécie
depois dos atentados de 11 de setembro ao World Trade Center de
Nova Iorque, tem feito suas concessões. Só que, neste
caso, as concessões atingem todos os países.
E não
vai ficar nisso. O FBI quer também que as operadoras de telefonia
mudem suas redes para melhorar a vigilância das informações
que circulam por lá. Inspecionar as comunicações
de voz aumentaria a habilidade de identificar comunicações
suspeitas de criminosos.
É
o Grande Irmão chegando à era da Informática.
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