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31-01-2001
Nada de portas fechadas
Proliferam-se
iniciativas de dar um caráter empresarial a projetos como
o da Rede Metropolitana de Alta Velocidade (Remav), mais conhecida
aqui como Rede Recife ATM. Neste caso, a idéia é criar
um canal de conteúdo que possa ser aproveitado pelo meio
corporativo.
Seguindo
a mesma linha (dar aplicação social à coisa
pública), o senador Roberto Freire (PPS) tem um projeto de
lei em tramitação no Senado para autorizar professores
de universidades públicas e pesquisadores de instituições
oficiais a montar empresas de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia.
A idéia,
inspirada em um projeto da França, é mais do que permitir
que esses negócios sejam criados: é incentivar com
recursos públicos as experiências que tenham capacidade
de produzir, para que esse potencial não seja perdido.
Entendemos
que o desenvolvimento de ciência e tecnologia será
dinamizado com a entrada dos pesquisadores no mercado, como empreendedores,
defende.
Freire
cita as incubadoras de informática de Pernambuco para exemplificar
a capacidade empreendedora que obteve bons resultados, embora sem
ajuda. E diz que, com o apoio da lei que está propondo, outras
iniciativas semelhantes podem ter sucesso também. Já
melhoramos com a possibilidade de criar incubadoras e integrar as
universidades à economia. Mas isso não é o
bastante.
O perigo
é restringir as pesquisas acadêmicas apenas às
que tenham retorno comercial imediato. A universidade (ainda) é
o único lugar em que se pode desenvolver algum estudo sem
a pressão do lucro. E essa porta não pode ser fechada.
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