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26-07-2000
A
farra pontocom já era
A nova edição da revista Exame traz em sua matéria de capa um retrato
sem retoques do mercado de Internet no que diz respeito às empresas
pontocom. O ‘gancho’, como chamamos no jargão jornalístico, é o
mesmo destacado por esta coluna há um ano. Tratava na época do afunilamento
que ocorreria fatalmente no mercado dos investimentos em empresas
Web, com chances de sobrevida a quem tivesse conteúdo suficiente
para ser lucrativa. Isso está ocorrendo e é de que fala a reportagem
da Exame.
Os
investidores não estão mais indo na onda de empresas que não oferecem
mais do que fumaça. Os prazos para retorno de capital não são mais
de três ou quatro anos, mas de um ano, um e meio quando muito. Algumas
bobagens online não são mais vistas como idéias, como acontecia
até pouco tempo. Agora vinga o que conseguir convencer o investidor
quanto à qualidade e a perspectiva de lucro. Como diriam os economistas,
a ‘bolha’ explodiu. Não basta mais fazer um site, por menor que
seja – e por mais empolgado que seja o seu normalmente jovem criador
–, e esperar logo um milhão de dólares de investimentos por ele.
Mudou o rumo da prosa.
O
nó da questão foi percebido após a queda da Nasdaq, em abril. Foi
quando os investidores caíram na real e passaram a ser mais seletivos
com os projetos. Mudou o colorido dos planos de negócios. O vermelho
deixou de ser tolerado e a vez é do azul. O sonho virtual acabou
e deu lugar a uma realidade de mercado, como no mundo real.
Especialistas
apontam para a acomodação do mercado de Internet. A triagem está
sendo muito rigorosa e as chances passam a ser de quem tem estrutura
e planos consistentes e realistas. Espuma não convence mais. Quem
comeu, comeu. Acabou o almoço grátis.
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