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Recife, 03/04/97
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CPI DOS TÍTULOS PÚBLICOS (IV)
Diversos órgãos do Governo
receberam ligações do Vetor
Na relação de telefones divulgada pela CPI do
Senado, resultado da quebra do sigilo telefônico
do Banco Vetor, constam 54 ligações para o
Recife. As mais freqüentes foram para o
Bandepe, Palácio do Governo, Secretaria de
Infra-Estrutura, Secretaria da Fazenda, diretoria
financeira da Celpe, Fundação Celpe, Fachesf,
Roberto Viana e sua empresa, Polo de
Propaganda, Paulo Miranda, Telpe, Varig
Agropecuária, Mar Hotel, Recife Palace Lucsim,
e até para a coordenação de vendas de
assinaturas do Diário de Pernambuco.
Na lista, existem alguns mistérios, como o
número 432 4879, que é de um telefone
comunitário instalado na IV Etapa de Rio Doce e
o 441 3517, do Conjunto residencial Apipucos,
que fica na Macaxeira. E curiosidades como o
222 1453, de um salão de beleza, ou o 268
2070, que pertence ao aposentado Cícero
Benito dos Santos, conhecido no Morro da
Conceição como "Lourinho". Sua mulher, Maria
do Carmo Santos, nega que tenham recebido
qualquer ligação do Banco Vetor ou qualquer
envolvimento com a máfia dos Precatórios.
O telefone do motorista de táxi, José Cosmo da
Silva, 471 3337, também consta da lista. Mas a
família também nega qualquer envolvimento,
assim como no 221 3891, que pertencia a João
Pimentel de Lima, já falecido. Este também é o
caso do celular 971 2132, pertencente a José
Halim de Souza Filho, que diz não ter ligação
com os precatórios e do 971 1332, onde o dono
não quis se identificar, mas garantiu não ter tido
nenhum contato com o Banco Vetor.
Um dos números citados, 221 5267, é de um
brexó que pertence a Márcia Falcão e à
ex-mulher de Paulo Miranda, Ana Cláudia
Pereira. Márcia informou que estas ligações
foram feitas por uma amiga de Paulo Miranda,
Márcia Martins, para tratar de negócios relativos
ao brexó, com Ana Cláudia. Márcia Martins
deve ter ligado também para a residência do pai
de Ana Cláudia, Sidney Farias Pereira: 341
0276. Ele não foi encontrado pela imprensa para
confirmar.
Outro telefone citado foi o 462 2652, de Hélio
Coutinho. Ele explicou que a ligação foi feita por
um amigo que trabalha no Banco Vetor, Elpídio
Canabrava. "Ele queria informações sobre títulos
de privatização, debêntures da Siderbras, nada
sobre títulos públicos", disse. Coutinho também
nega qualquer ligação sua com os precatórios.
Os dois telefones do escritórios de Fernando
Camposana também estão listados. Ele garante
que não tem nada a ver com a operação de
títulos de Pernambuco e que só soube dela,
durante a campanha de Luíza Erundina, quando
Matarazzo Suplicy denunciou sobre o caso. Ele
admite no entanto, que muitas ligações foram
feitas pelo Banco para seu escritório porque
sempre operou com títulos federais junto ao
Vetor.
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