Recife, 03/04/97

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CPI DOS TÍTULOS PÚBLICOS (VI)
CPI ouvirá os banqueiros na segunda-feira

BRASÍLIA - A CPI dos Precatórios aprovou ontem, em reunião secreta, a convocação dos presidentes e diretores-financeiros dos Bancos Bradesco, Caixa Econômica Federal, Banestado e Multiplic. Os depoimentos serão tomados na segunda-feira. A CPI decidiu também convocar amanhã os presidentes e diretores dos fundos de pensão da Embratel (Telos), da Petrobrás (Petros), da Caixa Econômica (Funcef) e Serpro (Serpros).

Apenas quatro fundos de pensão de empresas estatais e três bancos permitiram que o esquema que manipulou os preços dos títulos tivesse um lucro de R$ 103,286 milhões. Esse dinheiro foi dividido entre as empresas "laranjas" e, depois, "lavado" e enviado ao exterior. O valor foi encontrado pela CPI dos Títulos Públicos por meio de um rastreamento das operações com títulos emitidos para pagar precatórios pelos Estados de Alagoas, Pernambuco, Santa Catarina e pelos municípios de Guarulhos e Osasco.

O trabalho de rastreamento ainda não acabou, pois falta incluir os lucros obtidos nas operações com títulos da Prefeitura de São Paulo. O levantamento mostra que tanto os bancos Bradesco, Multiplic e Banestado, como os fundos de pensão Funcef, Petros, Telos e Serpros compraram os títulos depois que os papéis passaram pela "corrente da felicidade" - as empresas do esquema.

Como os bancos e fundos de pensão compraram os títulos com preços mais elevados do que os inicialmente vendidos pelos governos estaduais e prefeituras, as empresas que intermediaram as negociações ficaram com os lucros. Em todas as operações, os compradores e vendedores são quase sempre os mesmos: as distribuidoras JHL, Olímpia, Ativação e Split, a IBF Factoring e o Banco Vetor, instituições já liquidadas.

A seqüência de operações que mais aparece é: o Vetor vende para a corretora Valor, que depois revende para a Olímpia, que repassa o papel para a Ativação, que vende para a IBF, que repassa os papéis para a Split e, no final, os títulos terminam na carteira do Banestado ou do Bradesco.

O rastreamento será apresentado durante os depoimentos dos presidentes e diretores dos fundos de pensão e dos bancos. O relator da CPI, Roberto Requião, quer saber o que levou os bancos e fundos de pensão a comprar os papéis depois da "corrente de felicidade".



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