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Recife, 03/04/97
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TRANSPORTES
Privatização da Malha Nordeste
traz demissão
A Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) deve
demitir cerca de 160 ferroviários lotados nos
estados nordestinos. Os cortes integram a
estratégia de privatização dos serviços da Malha
Nordeste, que obriga os futuros concessionários
a assumirem pelo menos 1.600 empregados nas
superintendências regionais de Recife, Fortaleza
e São Luiz. Estas regionais têm, hoje, 1.760
funcionários e a previsão é de que o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) publique o edital de licitação
até o final deste mês.
O assessor da Superintendência da RFFSA em
Recife, Jaime Barbosa, disse que dos 1.600
funcionários que serão mantidos, 816 ficarão na
regional Recife, 556 em Fortaleza e 228 em São
Luiz. Os números não são definitivos. O
enxugamento começou como incentivo a
aposentadoria, virou plano de desligamento
estimulado e agora é feito com demissões
compulsórias.
A regional Recife já teve entre 2.500 e 2.600
ferroviários, em 1993. "Esta semana 18 pessoas
foram demitidas", ressaltou o diretor da
secretária de imprensa e comunicação do
Sindicato dos Ferroviários e engenheiro da
RFFSA, Raimundo de Oliveira.
Paralelamente, a União está investindo na região
R$ 70 milhões - oriundos do Banco Mundial - na
recuperação de locomotivas, vagões e num novo
modelo de comunicação para poder privatizar a
Rede. A concessão e arrendamento dos serviços
ferroviários da Malha Nordeste terão validade de
30 anos por um valor calculado em R$ 11,6
milhões. Barbosa assegurou que a vantagem da
desestatização está na eliminação de um déficit
anual de R$ 50 milhões.
O empresário Aristeu Chaves, da Valexport,
garantiu que, com a otimização dos serviços
ferroviários e conclusão das linhas
Petrolina-Suape e Juazeiro-Salvador pela
iniciativa privada, os produtores de frutas terão
uma redução de pelo menos 30% com frete.
"Além de baratear os custos, a privatização da
Malha facilitará a criação de entrepostos em
Petrolina. Vamos poder internacionalizar os
produtos no próprio Vale do São Francisco, é só
lacrar os conteineres/vagões e eliminar os
atravessadores", disse Chaves.
O presidente do Sindicato da Indústria de Gesso,
Josias Inojosa, disse que o edital deve obrigar o
futuro concessionário a reformar a ferrovia
Salgueiro-Suape e a construir o trecho
Salgueiro-Araripina, orçado em R$ 140 milhões.
Ele afirmou que o setor tem capacidade para
transportar 100 mil toneladas/mês de gesso e
gipsita utilizando 2.500 vagões.
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