A FAMÍLIA


Se a felicidade de Marcelo e Valfrido é plena, a da mãe deles, dona Antônia Lira, 65 anos, não tem definição. Bastante religiosa, credita a inocência dos seus “meninos” - como chama os kombeiros - a Deus. “Deus foi maior e livrou meus meninos. Enquanto muita gente achava que eles tinham matado essas duas meninas, eu tinha certeza que eram inocentes. Deus trabalhou em silêncio, como sempre faz, e agora os dois estão soltos”, diz com sorriso largo no rosto.

Como mãe, dona Antônia conta que sofreu bastante com a prisão de Marcelo e Valfrido. “Nunca tinha desmaiado na minha vida. Mas ao ver meus filhos presos, não consegui me segurar. Nenhuma mãe fica satisfeita em ver ser filhos serem acusados de uma coisa que não fizeram. Mas o que me conforta é que eles estão soltos e felizes. Conseguiram retomar a vida”. Para comemorar a data de absolvição dos irmãos, ela afirma que vai organizar um churrasco com familiares e amigos.

A esposa de Marcelo, Marilene Carvalho de Paula, prefere um culto em ação de graças em vez da festa. “Marcelo prometeu esse culto. Faz um ano e ainda não cumpriu”, reclama. Por trás da timidez, ela guarda um sorriso de satisfação. “Tirei um peso das costas. Não é facil cuidar de quatro filhas sozinha, tendo que trabalhar para colocar comida dentro de casa e dar educação, assistência. Tudo fica mais difícil. Agora, com ele solto, dividimos as despesas. Ele está do meu lado para ajudar com as crianças. É um homem dentro de casa. Representa segurança”.

As quatro filhas de Marcelo e Marilene, Vaneska, 18 anos, Valnice, 16, Vivian, 12, e Vitória, 6, também são tímidas. Mesmo com a data comemorativa, não quiseram posar para fotografias ou conversar com a reportagem. Apenas quando a equipe deixava a residência do casal, Vaneska resolveu aparecer. “É bom ter papai em casa de novo”.

Os amigos dos dois falam mais. A maioria kombeiros, se tratam como irmãos. “Vi os dois crescerem. E sabe como é irmão. Tinha certeza que eles não tinham matado ninguém. Fazemos de tudo para ajudá-los, em tudo. Se estão em dificuldades, oferecemos a Kombi para que possam ganhar dinheiro”, garante Cláudio Reis. “O melhor é tê-los de volta ao convívio da sociedade. Eles não mereciam todo o sofrimento que passaram”, acrescenta outro colega, Adilson José de Oliveira.

Publicado no dia 03 de Setembro de 2011 no JC Online e no NE10