MARCELO


Os dois anos e oito meses atrás das grades, a pressão para confessar um duplo homicídio e a angústia da possibilidade de passar ainda mais anos longe da família. Tudo isso faz parte do passado de Marcelo Lira. Aos 42 anos, o kombeiro aprendeu a valorizar ações do dia a dia como preparar o almoço, tomar banho de mar e sentar no sofá para ver as filhas correndo aos gritos com uma bolacha na mão.

Marcelo é capaz de resumir o que sente em um pensamento: “O melhor da liberdade é você poder viver. Viver, que eu quero dizer, é poder estar aqui agora (e, se quiser) vou para Ipojuca, vou para Recife, vou para Maceió, vou para onde eu quiser. Então, pra mim, o melhor é viver”.

Marcelo voltou a dirigir Kombi. Mas a de amigos. A dele ainda está sob a guarda da Justiça. Aliás, o kombeiro não tem muito apreço pela Justiça. “A Justiça foi injusta comigo. Foi injusta no início e justa no dia do júri, porque aí não foi mais a Justiça. Já partiu da sociedade”. Mas ele segue em paz. Depois de um ano de liberdade, nem a reabertura do processo no qual é acusado de participar do assassinato de Iraquitânia Maria da Silva, em 2000, e a possibilidade do Caso Serrambi também voltar aos tribunais parece perturbá-lo.

“Estou com minha consciência tranquila. Pra mim o que vale é minha consciência. Cada um tem o direito de falar e pensar o que quer”, pondera antes de embarcar para mais uma viagem com os passageiros que sobem no carro conduzido pelo famoso morador do distrito ipojucano de Nossa Senhora do Ó.

Publicado no dia 03 de Setembro de 2011 no JC Online e no NE10