![]() |
Uma mensagem ao contrário Carol
Almeida JORNAL DO COMMERCIO Qual a idéia que você quer passar com o filme? PHILIPPE BARCINSKI Tanto no Palíndromo quanto nos outros curtas que eu fiz, procuro sempre manter um equilíbrio entre uma experimentação de linguagem e uma narrativa atraente, tentando não deixar o filme hermético. O ideal é fazer coisas novas, mas fazer um filme que possa ser exibido em televisão ou como foi no Festival, para 2500 pessoas. JC E por que de trás para a frente? PB Eu vi alguns filmes que mexiam com isso, mas nunca tinha visto um com uma história inteira de trás para frente. A tentativa do Palíndromo é um exercício narrativo mesmo, as pessoas andam de costas, o som é ao contrário e isso gera alguns efeitos interessantes, pois ele começa numa situação de ápice dramático e a expectativa que se cria é saber como a pessoa atingiu aquele ápice. É realista, mas tem um ar poético. JC E como você conseguiu aquele efeito com a câmera? PB Não há câmera por aqui que consiga filmar de trás pra frente. A gente teve que filmar com a câmera de cabeça pra baixo, com o outro lado do filme. JC Você tem algum projeto em longa-metragem? PB Tenho. No momento, estou com um outro curta filmado, em fase de finalização, que se chama A Janela Aberta e deve ficar pronto no segundo semestre. E ao mesmo tempo que estou finalizando ele, desenvolvo duas histórias em longa que ainda estão bem incipientes. Quero muito fazer longa, quero contar uma história maior também. JC Fala um pouco mais desse próximo curta. PB Eu filmei A Janela Aberta com um prêmio do Ministério da Cultura e ele parte de uma idéia que surgiu com uma amiga minha psiquiatra. Ela trata de pessoas que têm uma doença chamada de TOC, que é uma doença que todo mundo tem em menor escala, mas que quando está em maior escala vira uma patologia. É aquilo de você ter pensamentos obsessivos que ficam voltando pra sua mente o tempo todo e você cria rituais pra conviver com eles. Esses pensamentos são coisas triviais como eu desliguei ou não a luz, fechei ou não o gás. E há pessoas que convivem com isso de uma forma mais barra-pesada. E o filme é assim, um cara que está numa situação trivial, deitado na cama tentando lembrar se fechou ou não uma janela na sala. E ele fica pensando e então começa a lembrar do que ele fez pra se lembrar se fechou ou não a janela, mas aí a coisa vai crescendo, tomando ares de patologia mesmo e ficando assustador. É uma experimentação de linguagem.
|
|
|||