Mostra paralela começa como um ‘aperitivo’ para esperar o Festival

Do Caderno C

A programação do 5º Festival de Cinema do Recife começa apenas na próxima terça-feira (24) mas, desde a última quinta-feira, o público da cidade tem acesso a uma das chamadas ‘mostras paralelas’, a Cinema na Praia, que ocorre na beira-mar do Pina. Na noite de anteontem, o organizador Alfredo Bertini fez o anúncio oficial do evento no auditório do Recife Monte Hotel.

“A mostra Cinema na Praia é uma prévia”, define Bertini. “É o que a gente chama de ‘Esperando o Festival’.” A estréia aconteceu às 19h30 de ontem, em frente ao restaurante Maxime’s, com o curta-metragem O Nordestino e o Toque da Sua Lamparina (um dos destaques de 1999) e o longa Bossa Nova. Segue hoje (sexta) com Jonas & Lisa (curta) e Eu, Tu, Eles, e, no sábado, com De Janela Pro Cinema e O Auto da Compadecida. O acesso é gratuito.

O festival, que tem como tema este ano Cinema Brasileiro: Uma Arte de Raça, e homenageia o ator Milton Gonçalves e a atriz Ruth de Sousa, prevê ainda a realização de mais seis mostras paralelas: Cinema na Praça (na Praça da Matriz da Várzea, reprisando o programa do Pina); uma infantil; duas temáticas (sobre o cineasta pernambucano radicado na Europa, Alberto Cavalcanti, e sobre o tema do evento); uma do Novo Cinema Nordestino; e outra do Novo Cinema Espanhol.

Mesmo com a inclusão de cinco produções espanholas no programa, Bertini não cogita a possibilidade de filmes estrangeiros virem a participar da mostra competitiva em edições futuras.

Entre as novidades, está o número mais enxuto de oficinas oferecidas este ano – apenas seis, sendo um delas, a de animação, ministrada apenas para alunos da rede municipal de ensino. Também será instituído o Troféu Gilberto Freyre, um prêmio permanente oferecido ao filme que melhor aborde a questão da miscigenação racial. A programação visual do festival também está de cara nova: sai o tradicional passista, dando lugar a uma estrela do mar. A criação é do designer gráfico pernambucano Fernando Lima (ex-Ampla) produzida para a agência New Trade, de São Paulo.

2002 – Durante o anúncio oficial na última terça-feira, o organizador revelou duas intenções de mudanças para a 6ª edição do Festival de Cinema do Recife, no ano que vem. A primeira seria a escolha dos longas-metragens por meio de uma comissão de pré-seleção, a exemplo do que ocorre com os curtas. Outra medida será a de incluir as produções pernambucanas também no processo seletivo, dando fim à ‘reserva de mercado’ que ocorreu nesses cinco primeiros anos.