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Festival do Recife apresenta raio-x do cinema nacional Kleber
Mendonça Filho A 5ª edição do Festival de Cinema do Recife começa hoje à noite, abrindo uma semana inteira de filmes quase sempre brasileiros em sessões concorridas, seminários, festas e sessões de astronomia a olho nu. O Teatro Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco, continua sendo o cenário para a festa que deverá apresentar radiografia clara do que o Cinema Brasileiro vem fazendo atualmente, em curtas e longas metragens. Pairando sobre tudo e todos, o tema do festival este ano: Cinema Brasileiro - Uma Arte de Raça. Raça será certamente um elemento na noite de hoje com a exibição de Domésticas, filme dos paulistas Fernando Meireles e Nando Olival que examina em tom de comédia o mundo das empregadas que trabalham para a classe média. O filme é adaptação da peça de mesmo nome, sucesso de público em todo o Brasil, e poderá revelar-se o mais bem recebido de todo o festival, a julgar pela capacidade de comunicação que os publicitários Olival e Meireles já demonstraram em curtas-metragens como E No Meio Passa um Trem. PREÇOS - O Festival do Recife continua estruturalmente o mesmo dos anos anteriores, mas com algumas diferenças. Serão exibidos 36 curtas metragens, nos formatos 16mm e 35mm (projetados democraticamente no mesmo espaço), e 12 longas (35mm), confirmando a maratona de cinema que começa sempre às 19h. Essa programação ficará restrita ao Teatro Guararapes, sem reapresentações, como em outros anos. Há também um aumento no preço dos ingressos, que passam de R$ 2 e R$ 1 para R$ 4 e R$ 2. Acrescente R$ 3 do estacionamento e esperamos que os preços mais caros não sejam refletidos numa freqüência mais baixa de público. SELEÇÃO - Do ponto de vista da seleção, o Festival do Recife apresenta um raio x confiável do que o país vem filmando, embora longe de ser revelador num âmbito brasileiro. A imprensa nacional certamente estará no Recife para cobrir o Festival, embora colegas tenham reclamado da falta de novidades, um dos fatores que guiam qualquer festival importante. Domésticas, por exemplo, estreou em São Paulo na semana passada, já tirando o fator novidade da sua exibição no Recife. Este Festival já tem peso suficiente para jogar com carros-chefe inéditos, algo que o organizador Alfredo Bertini tem tentado sistematicamente, ao longos dos últimos anos. No âmbito regional, no entanto, a seleção é um presente para o público local, pois os filmes são todos inéditos. Além do espaço para curtas metragens, documentários também serão destacados em nada menos que seis longas. Merecem atenção Babilônia 2000, de Eduardo Coutinho, e O Sonho de Rose, de Tetê Moraes. O primeiro é um belo retrato em movimento de pessoas às voltas com a geografia e a passagem do tempo. O segundo, um relato político sobre a questão da terra no Brasil que poderá trazer para o Festival o MST em peso. Na área de ficção, alguns destaques certos: além de Domésticas, há Latitude Zero, de Toni Venturi, que representou o Brasil no último Festival de Berlim, e Bicho de Sete Cabeças (domingo), de Laís Bodansky, grande vencedor do último Festival de Brasília. O filme tem à frente Rodrigo Santoro e questões como preconceito e loucura. Nos curtas, o público pode esperar o habitual balaio, repleto de frutas frescas e algumas já podres. Esperem aclamação popular de pelo menos dois filmes: Almas em Chamas (SP), uma apaixonante história de amor em animação pornográfica, e BMW Vermelho, visão preconceituosa (mas comunicativa) dos pobres no Brasil. Pernambuco tem uma quase filmografia em exibição, uma safra de sete filmes, seis ainda inéditos na cidade. Os destaques são O Velho o Mar e o Lago, de Camilo Cavalcante, A Visita, de Hilton Lacerda, Brennand - de Ovo Omnia, de Liz Donovan, e A Composição do Vazio, de Marcos Enrique Lopes. A organização informa também que, em 2002, pernambucanos também passarão por processo de seleção. ESPANHÓIS - Além da programação intensa nas noites do festival, há projeções paralelas no Cinema da Fundação, à tarde. Uma homenagem ao cineasta Alberto Cavalcanti irá trazer apenas quatro filmes dele, um deles O Canto do Mar. Como parte da homenagem à raça, será exibido o longa Cruz e Souza - O Poeta do Desterro, de Sylvio Back, sobre o poeta negro de Santa Catarina. Há também dois curtas da Paraíba (A Canga e Eu Sou Servo) e dois curtas (El Columpio e El Beso Perfecto) e dois longas espanhóis (Solas e El Abuelo) que destoam completamente da programação. |
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