Festival do Recife apresenta raio-x do cinema nacional

O filme Domésticas, principal atração hoje à noite na abertura do 5º Festival de Cinema do Recife, terá pelo menos uma ansiosa pernambucana na platéia, se não contarmos também a ansiedade dos pais e amigos dela. A atriz Cybele Jácome, 30 anos, teve no longa-metragem de Fernando Meirelles e Nando Olival a sua primeira experiência no cinema. Ela ainda não viu o resultado da sua contribuição na tela. “Corre um certo nervosismo de ver o filme no Teatro Guararapes pela primeira vez, durante o festival”, disse Cybele à reportagem do Jornal do Commercio. Além do filme, a atriz pernambucana estará em cartaz no Recife a partir desta sexta-feira com a peça Inês, no Teatro Apolo-Hermilo.

A oportunidade de trabalhar em Domésticas surgiu depois que a atriz foi vista no Festival de Teatro Curitiba, atuando em As Preciosas Ridículas. “A produtora de elenco Cecília Homem de Mello gostou e pediu que eu fizesse um teste para um comercial da Brastemp que, aliás, eu terminei não fazendo. Quase um ano depois, eles reviram o teste e lembraram-se de mim para o filme”, diz Cybele.

Para arrematar o processo de casting, a produtora pediu que Cybele improvisasse um teste que ela mesma gravou no Recife em vídeo, com a ajuda de uma amiga. “Improvisei uma cena lavando um banheiro, mandei a fita, Fernando Meirelles gostou e me deu o papel”.

A personagem de Cybele é Mercedes, que ela descreve como a confidente de Cida (Renata Melo), sua amiga e personagem central. Mercedes foi criada especialmente para o filme e não existia na peça que originou o filme. “Mercedes é uma sonhadora que gosta de horóscopo e tem paixão platônica pelo ator Raul Gazzola. Não é um papel grande”, adianta.

Cybele rodou a sua participação no filme em maio de 99, durante uma semana. Ela diz que estava tensa inicialmente, mas o fato de os diretores Olival e Meirelles serem relaxados e confiantes no elenco, oriundo essencialmente do teatro, ajudou muito.

Sobre a comparação inevitável entre cinema e teatro, a atriz diz que trabalhar num filme é, acima de tudo, uma prova de confiança. “No teatro, é você quem garante a qualidade do seu trabalho. No cinema, às vezes ‘valeu’ para o ator, mas não ‘valeu’ para o técnico de som, ou para o câmera”. Ela acha também que, no cinema, há uma concentração muito especial que obriga o ator a ignorar toda uma equipe escondida num minúsculo quarto de empregada, fios de microfone colados no corpo do ator, câmeras próximas demais dos rostos.

Cybele relata que a experiência de trabalhar no cinema a deixou com vontade de investigar com mais profundidade o universo cinematográfico. No cinema, há uma relação muito grande de confiança entre o ator e o realizador, e isso é muito interessante. (K.M.F.)