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Segundo longa da noite não empolga espectadores Renata
do Amaral A segunda noite do 5º Festival de Cinema do Recife começou lotada mas terminou com apenas alguns gatos pingados na platéia. Não é qualquer um que agüenta a maratona de seis horas de curtas e longas, agravada pelas cadeiras pouco confortáveis do Teatro Guararapes e pela programação irregular. Mesmo assim, quem ficou até o fim pôde conferir de perto o panorama da produção cinematográfica nacional. Por volta das 22h, foi a vez do curta de animação 1500 mostrar a que veio. O filme paulista de oito minutos retrata em giz de cera a carta de Pero Vaz de Caminha e a aculturação dos índios brasileiros. Pedro Álvares Cabral e Frei Henrique também fazem uma participação especial no curta, dirigido por Maurício Squarisi e rodado em 35 mm. Se o filme é bem executado, o roteiro não sai do lugar-comum. Talvez por tratar com leveza e bom humor uma grande paixão nacional, o curta Os outros agradou tanto ao público que compareceu ao Teatro Guararapes. O filme do carioca Fernando Mozart mostra um marciano que cai no Brasil por acaso e tenta descobrir o que é a tal "coisinha tão bonitinha do pai" cantada por Beth Carvalho. Isso mesmo: o bumbum, mostrado como um verdadeiro deus, é o tema dos quinze minutos do divertido curta. O último da noite foi o paulista Imminenti luna, de Maurício Lanzara. Conta a história de dois homens idosos que moram no mesmo quarto de um asilo. Ernesto e Mathias acabam desenvolvendo uma relação de amizade porque dependem das histórias um do outro para se manterem vivos. O filme, de 25 minutos, é uma fábula sobre solidão e fantasia. Sim, você já viu isso antes... Já era quase meia-noite quando chegou a hora do segundo longa-metragem da quarta-feira, Latitude Zero. Um garimpo remoto no interior do Brasil é o pano de fundo para essa história interpretada por Cláudio Jaborandy e Débora Duboc e com roteiro baseado na peça As coisas ruins da cabeça, de Fernando Bonassi. "Trata-se de uma pequena e humilde metáfora sobre o Brasil", afirmou o diretor Toni Ventura, ao apresentar o filme. Não era preciso especular, no entanto. A primeira cena já mostra o que está por vir: a personagem principal, grávida, masturba-se, chora e grita (ao mesmo tempo!). Sozinha em um lugar ermo e inabitado, recebe a visita de um amigo do ex-marido. Isolados do mundo, esperam para seu restaurante simples clientes que nunca chegam e passam o tempo entre brigas e sexo. A trama, claro, culmina em um crime que pouca gente esperou para ver. |
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