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A invenção da infância desponta como primeiro candidato ao Passista Fabíola
Blah Com um atraso de 50 minutos, o 5º Festival de Cinema do Recife teve início na noite da última terça-feira, no Centro de Convenções de Pernambuco, ao som de críticas técnicas como "olha o som!", "olha o foco!" - típicas de uma platéia tão especializada. Graça Araújo e Hugo Esteves foram os apresentadores da cerimônia de abertura, mais um discurso da organização para apresentar o evento do que propriamente uma solenidade. O primeiro curta exibido foi a produção brasiliense Cá e Lá, inspirado no Bloco da Saudade. "É um exercício de aprendizado, mas nem por isso deve ser visto com om olhar crítico atenuado ou com condescendência por vocês", disse o diretor Aurélio Aragão. O curta conta a história de um homem que sobe uma grande ladeira empurrando uma roda imensa - mas tudo muda quando o Carnaval chega. Não disse muito a que veio: se é aquela velha história de que os brasileiros esquecem tudo pra ir "atrás do trio elétrico" ou se é mais uma declaração de amor ao tão propalado carnaval pernambucano. Aplaudidíssimo pela platéia, o gaúcho A invenção da infância, de Liliana Sulzbach, defende que "ser criança não significa ter infância". Mostrando realidades díspares de crianças que moram em São Paulo, numa plantação de sisal na Bahia e numa pedreira, no mesmo estado, o roteiro aborda temas como exploração infantil e aproxima crianças da classe média e baixa quando diz que, cada uma a seu modo, são pequenos adultos. "Um mundo onde crianças e adultos vivem iguais e consomem iguais não vê a infância como época diferente ou especial", diz o narrador a certo momento. Animações simples de Tadao Maqui - como desenhos de giz num quadro negro - entremeiam os depoimentos das crianças e mães participantes do filme. A responsabilidade dos meios de comunicação também foi lembrada pela diretora, que cita imprensa, rádio e televisão como elementos ativos na educação das crianças contemporâneas. Diante da reação da platéia, o filme é forte concorrente ao Passista. Anunciando o manifesto Dogma Feijoada (em referência ao Dogma 95, estética que tenta reagir ao estilo hollywoodano de efeitos superespeciais), Jefferson De comentou o seu Distraída pra morte, terceiro curta da noite de estréia. Com um elenco principal 100% negro, o filme pretende fugir dos rótulos criados para os negros na indústria cinematográfica brasileira. "Os negros vivem estereótipos sacanas e levianos", acusa De. O filme foi bem recebido pela platéia, talvez por ter participações de figurinhas como Otto, Max de Castro e João Marcelo Bôscoli. MIMETISMO - Quer bicho mais animado do que um camaleão? Seu mimetismo, por si só, já dá um desenho de primeira. Partindo dessa premissa, Marcelo Marão dirigiu Chifre de Camaleão, um curta de animação no qual a disputa de dois camaleões, um grande e um pequeno, por uma mesma fêmea é o tema central. Nas adjacências da história, um bebê malcriado e sua avó. Com movimentos que variam entre esboço e desenho final, a "moral da história" é que nem sempre o maior é o mais poderoso. A identidade representada pelo cabelo "black power" é uma das abordagens de Pixaim, curta baiano dirigido por Fernando Belens. Ao som de Haiti (Caetano Veloso/Gilberto Gil) e Black is beautiful (Paulo Sergio Valle/Marcos Valle), o filme fala de preconceito racial e social através de um salão de beleza e uma barbearia instalados no Pelourinho, em Salvador. Até promete, mas o curta termina e não se explica. Enquanto subiam os créditos de Capiba, 96 anos se Deus quiser, o frevo Madeira que cupim não rói tocava ao fundo. A platéia cantou em coro, o que emocionou a equipe de produção, presente no Centro de Convenções. O curta foi dirigido por Francisco Amorim e aplaudido até o finalzinho dos créditos. O filme é baseado no livro autobiográfico Capiba, história que a vida me ensinou. Belas imagens aéreas do Recife ajudaram a comover o público. |
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