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Curta da terra de Ilha das Flores sobressai-se na primeira noite da Mostra Competitiva Marcos
Toledo A programação, com o atraso de praxe, teve início com Cá e Lá, de Aurélio Aragão, produção do Distrito Federal. Sem diálogos e marcado pelo subjetivismo, o curta presta um tributo ao Carnaval de Olinda, no sobe-e-desce das ladeiras, transformando figuras anônimas em foliões. O público recebeu com aplausos calorosos. A grata surpresa ficou por conta de A Invenção da Infância, de Liliana Sulzbach. Em resumo tosco, o filme mostra o contraste entre garotos e garotas pobres que trabalham como adultos mas querem ser crianças; e outros, em melhor condição financeira, que têm acesso a tudo o que é infantil, mas querem se tornar adultos. Nos pontos altos, a produção gaúcha denuncia o índice de mortalidade infantil na classe miserável como no caso de uma mulher que engravidou 34 vezes e teve apenas seis filhos e o trabalho infantil no interior da Bahia; nas locações de São Paulo, analisa a outra infância perdida, de garotas que, desde cedo, querem assumir a postura de gente grande. A realização de Liliana Sulzbach, que teve a melhor aceitação da noite na Mostra Competitiva de Curtas, possui os traços comuns da produção gaúcha, de filmes como o célebre Ilha das Flores traz, por sinal, a mesma narração do ator Paulo José e trechos em animação. Ainda na primeira bateria, o paulista Distraída Pra Morte (título baseado numa canção do pernambucano Otto, que faz uma ponta), de Jefferson De, inaugurou o assunto do negro (tema do festival) entre os curtas. Muito bem vendido pelo diretor que integra o chamado movimento Dogma Feijoada negou fogo. As peripécias de um trio de adolescentes negros nas ruas de São Paulo não impressionou a platéia do Centro de Convenções. DEPOIS DO LONGA Na segunda parte da Mostra de Curtas, o desenho animado carioca Chifre de Camaleão, de Marão, arrancou boas gargalhadas do público. O baiano Pixaim, de Fernando Belens, o segundo sobre a temática negra, mostrou apenas que, na seleção, a abordagem prevaleceu sobre a qualidade. Com uma estética kitsch, usa o mote do cabelo para reproduzir a inserção do negro na sociedade brasileira dos anos 70 até a atualidade. Mas se mostra confuso e não desenvolve bem a idéia. O curta mais esperado da noite, Capiba: 96 Anos Se Deus Quiser, de Fernando Amorim, pretende-se uma homenagem poética ao compositor pernambucano, mas acaba gastando muita película com seqüências meramente institucionais. Levou três anos para ficar pronto, mas vale apenas pelo tributo a Capiba motivo pelo qual foi respeitosamente aplaudido pelos espectadores.
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