Assombrações do Recife Velho salva os curtas na terceira noite

Fabíola Blah
Do JC OnLine

O público presente ao Centro de Convenções de Pernambuco na noite desta quinta-feira era bem menor do que nos dois primeiros dias do evento, mesmo com obras pernambucanas programadas para a noite de hoje. O primeiro deles foi Assombrações do Recife Velho, série de curtas dirigida por pernambucanos, filmes responsáveis pela abertura da sessão.

Foram exibidos três 'volumes' da série, composta por 11 filmes: O Papa-figo (dirigido por Cláudio Barroso), A Casa da Rua de São João (Lírio Ferreira) e O Outro Lobisomem (Adelina Pontual). Todos eles têm como base a obra de Gilberto Freyre, recontando histórias referentes a mitos e lendas do Recife.

Sob a narração de Rubem Rocha Filho, os curtas nos aproximam de elementos corriqueiros do dia-a-dia pernambucano. A presença de atores, músicos e personalidades - Aramis Trindade, Silvério Pessoa, Roger de Renor e Lula Queiroga, entre outros - também faz os filmes parecerem mais íntimos do público. A platéia, identificada, agradeceu com muitas palmas.

O outro filme made in Pernambuco da noite foi Carnaval, Carnavais. A folia do Estado já rendeu obras bem melhores. Em seus cinco minutos, o curta de Ionaldo Araújo mostra uma sucessão de imagens das ladeiras de Olinda tomadas por foliões, muitos deles sendo retratados no Projeto Lambe-lambe. O som é o das ruas - e não vemos na tela absolutamente nada que já não tenha sido mostrado.

Encerrando a primeira parte da mostra de curtas, o carioca Os Filhos de Nelson, livremente inspirado na obra do dramaturgo Nelson Rodrigues. Ulisses e Sabrina são irmãos e têm um caso, inicialmente provocado pela irmã, que coloca muito batom vermelho para seduzir Ulisses - quem resistiria, também, a Eduardo Moscovis?

O incesto acaba em tragédia, acentuada pela presença de pai e mãe dos protagonistas, cada um defendendo o objeto de seu amor. Várias outras nuances são mostradas ao longo dos 18 minutos do filme, que poderia ter sido gravado na sua casa ou na do vizinho - como tudo de Nelson Rodrigues.