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Documentário 'escancara' a amarga vida dos trabalhadores da cana Fabíola
Blah Misturando imagens atuais e antigas do cultivo de cana-de-açúcar no Brasil, o documentário A Vida em Cana foi o primeiro longa-metragem da terceira noite de Festival de Cinema do Recife. A obra, dirigida por Wolney Atalla, retrata a realidade dos cortadores de cana no interior de São Paulo, como esse trabalho reflete nas suas vidas e o que eles pensam a respeito de sua 'profissão'. O espectador tem a oportunidade de conhecer a rotina dos trabalhadores, desde a queimada da cana até o pagamento do salário minguado. "Passei cinco meses filmando e os laços que criei com os cortadores foram fortes. Eles me ensinaram muito sobre humildade e valorização do que é realmente importante para o ser humano", disse o diretor ao JC OnLine. A receptividade do público pernambucano foi grande e positiva, que alternou momentos de risos e aplausos durante a projeção do filme. A platéia se comoveu com a simplicidade dos cortadores, que expressavam entre risadas e lágrimas desejos simples de ter saúde, uma casa ou apenas conseguir que seus filhos terminassem os estudos. Números e estatísticas a respeito do plantio, comercialização e mercado da cana-de-açúcar e derivados no Brasil também fazem parte do filme. A parte mais preocupante, porém, ficou para o final: o Governo Federal sancionou uma lei obrigando que, até 2012, toda a colheita de cana seja mecanizada. Logo de cara, isso representa cerca de 1,2 milhão de empregos a menos, visto que as máquinas dispensam completamente o trabalho do cortador. Problema social e econômico enorme, a mecanização pode obrigar a mudança dos cortadores para a cidade grande, aumentando ainda mais a parcela de marginalizados.
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