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Um
filme terno sobre pessoas comuns Camilo Cavalcante tem se destacado como um dos mais produtivos e premiados realizadores não apenas de Pernambuco, mas do Brasil. Ele não fica muito tempo parado à espera de verbas para filmar, pois vai lá e filma, ou grava, ou registra imagens, para utilizar um termo mais amplo. Depois de trabalhar essa imagem numa espécie de hierarquia técnica e estética, que veio do VHS e Super VHS, ao Betacam e 16mm, Camilo chega agora ao formato cinema 35mm com o curta O Velho, o Mar e o Lago (2000), lançado hoje à noite, no Teatro Guararapes, na Mostra Competitiva do V Festival de Cinema do Recife. Pode-se dizer que Camilo já desenvolveu estilo próprio sobre temas que o interessam de forma muito pessoal. De vídeos multi-premiados como Hambre Hombre (1996), Os Dois Velhinhos (1997) e Leviatã (1999), ele se aproximou gradualmente do suporte filme através de experiências estéticas e narrativas como Ocaso (1997) e uma nova versão de Os Dois Velhinhos, ambos filmados com apenas um plano giratório, sem cortes. Em O Velho, o Mar e o Lago, a câmera finalmente pára de rodar e parte em direções diferentes, quase sempre na mão, em contrastado preto e branco. O filme contém uma narrativa apaixonada não só pela linguagem de cinema (grande angular, muita movimentação e grão estourado), mas especialmente pelo personagem principal, o velho e único morador de uma ilha onde existe um farol (estranha criação cênica que funciona bem no mundo do cinema). O velho é interpretado pelo ator Cosme Soares. É difícil não se importar com um filme que consegue estabelecer um fino senso de isolamento em pinceladas seguras de direção de arte e caracterização para falar sobre a velhice e o isolamento. Por outro lado, suas imagens já seriam fortes o bastante e parecem dispensar um certo tom de melaço que toma conta da narrativa, inclusive num roteiro (premiado pelo Concurso do Ministério da Cultura) que prefere explicar emoções bem direitinho, e de forma bem mastigada. Tristeza e decepção não precisam ser anunciadas e o filme parece esquecer da força de suas imagens ao enfocar um rosto severamente enrugado. De qualquer forma, este é um filme terno, do tipo que pouca gente faz e pouco vemos. É filme sobre gente. Depois da exibição de O Velho, o Mar e o Lago, o Festival mostra um de seus trunfos em longa-metragem: Bicho de 7 Cabeças, grande vencedor do último Festival de Brasília, que traz como protagonista o ator Rodrigo Santoro.
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