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Domingo
lotado no Guararapes e muitas palmas para Bicho de Sete Cabeças
O domingo trouxe a consagração de público para o 5º Festival de Cinema do Recife. O público que foi ao Teatro Guararapes lotou o local já por volta das 20h, quando todos os ingressos já haviam sido vendidos. Houve uma nova vendagem de ingressos, ultrapassando o número de 750 bilhetes inteiros e 1.000 vendidos como meia-entrada. Com atraso, o Festival começou trinta minutos após o horário previsto, e muitos não tiveram como assistir já o começo das projeções sentados nos assentos. A grande espera da noite foi pela exibição do longa-metragem de Laís Bodanzky Bicho de Sete Cabeças, e pela presença do ator principal do filme, o global Rodrigo Santoro. O capixaba Macabéia foi o primeiro curta a iniciar a maratona de filmes da sexta noite do festival. Sem provocar a platéia, o documentário carioca Ara Okata e a ficção muda brasiliense Sinistro deram seqüência ao primeiro momento da noite. Responsável pelo agrado do público mesmo foi o carioca 2000 Nordestes. Trazendo para o Recife as histórias, vivências e causos de nordestinos que migraram para São Paulo e para o Rio de Janeiro, contrariando os argumentos dos que, sob hipótese alguma sairiam de suas cidades natais, o longa foi um os mais aplaudidos e satisfez o teatro lotado. O documentário retrata fielmente, entre imagens do épico Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, a ingenuidade de um povo de lindos lugares, pobreza, costumes simples e alegria avassaladora. O velho, o mar e o lago, do pernambucano Camilo Cavalcanti, emocionou o público com a atuação do ator Cosme Soares. O áudio do Teatro Guararapes não contribuiu com a exibição do filme que, apesar de poucas vezes compreendido pela platéia, deixou um rastro poético nas imagens em preto e branco. Continuando a segunda parte do espetáculo, o curta Célia e Rosita trouxe um roteiro inesperado para o festival, que gostou das aventuras à la Thelma e Louise das atrizes Dirce Migliaccio e Cleide Yáconis, com participação especial da atriz Dercy Gonçalves. Bicho de Sete Cabeças fechou a mostra competitiva do 5º Festival de Cinema do Recife desmascarando a ignorância familiar daqueles que internam parentes em manicômios no Brasil. Inspirado no livro Cantos Malditos, de Austregésilo Carrano, o filme já havia sido vencedor na última edição do Festival de Cinema de Brasília. Abordando os descasos nas relações familiares, Bodanzky retrata a falta de diálogos entre pais e filhos quando um mal-entendido que leva um jovem de 17 anos a ser internado pelos pais em um manicômio. O dia-a-dia nestas clínicas de repouso é o grande mote da história que aborda a experiência de Carrano, interpretado no filme por Rodrigo Santoro. A platéia aplaudiu de pé a exibição do filme, que tem estréia nacional marcada para o dia 26 de junho, quando volta a ser exibido no Recife.
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