Decididas a viver plenamente a sexualidade, mulheres assumem postura assertiva na hora da paquera. E o sexo sem envolvimento afetivo deixa de vez de ser exclusividade masculina.

A administradora Bruna Lima*, 24 anos, estava querendo diverso. Vrias aventuras. Depois de sete anos de noivado e de enfrentar o trmino da relao, decidiu jogar-se de cabea nos prazeres da vida, misturar-se multido de corpos que se movimentam sincronizados na batida das baladas e colocar em dia a listinha de "peguetes" para os que no sabem, aquela pessoa que mantm um relacionamento amoroso e/ou sexual sem compromisso. A histria de Bruna, no entanto, exclui a definio amorosa. Para ela, o sexo casual, a ocasio nica, e est fora de cogitao ficar com o mesmo homem duas vezes. Como um papel jogado ao vento, o trajeto imprevisvel e no pode ser repetido. Os dolos dela poderiam ser os mulherengos Charlie de Two and a half men e Barnie de How I met your mother, ou at mesmo a bem-resolvida Samantha de Sex and the city.

A administradora no quer romance, no d perfil no Facebook, Twitter, muito menos o nmero do telefone. "No ligue para mim que no vou atender", resume Bruna, com uma risada irrepreensvel. Mas ela no pensa em ficar velhinha praticando sexo casual. Questionada sobre o futuro, enftica: "Penso em casar e ter quatro filhos. Passei sete anos com a mesma pessoa, agora quero curtir", ressalta. Com o sonho de ter quatro filhos ou no, Bruna no est nessa vibe sozinha. Ela uma das muitas pernambucanas que saem noite em busca de prazer ou do famoso one night stand (ficada, em traduo livre). Algumas com o objetivo de terminar a noite acompanhadas, outras com a simples premissa do "se rolar, rolou". o caso da produtora Lusa Castro*, 22, que engatou um namoro aps vrias transas casuais com o paquerinha. "Meu perfil no muito sair caa. Eu pegava mais quem eu conhecia ou era amigo do amigo", conta. "E costumo repetir. Prefiro um fixo a ficar saindo com vrios caras, mesmo que no seja nada srio. Tinha at um boyzinho para quem eu ligava constantemente quando queria fazer sexo", lembra Lusa. Esse quebra-galho ao qual a jovem recorre em momentos de necessidade tem at apelido carinhoso: P.A. (p... amigo), lanchinho, fast-food... "Tinha um afeto no meio da relao, mas nem eu nem ele queramos nada srio. Ele me pegava em casa, conversvamos, nos divertamos e a gente transava. Basicamente isso. Os dois se beneficiavam", resume.

Moderno? Certo? Errado? A sexloga Silvana Melo analisa: "No existe a definio de certo ou errado. O que importante que haja um acordo. Se nenhum dos dois se sente agredido, uma opo", afirma. A especialista compara o atual comportamento feminino ao que tradicionalmente, durante muito tempo, foi exclusividade masculina. " uma necessidade fisiolgica que at um tempo atrs era atribuda apenas ao homem. Hoje, a mulher vivencia vrias possibilidades de maneira mais aberta. E isso de certa forma assusta os homens", acrescenta. E como deve estar assustando. Bruna Lima, por exemplo, prefere a abordagem direta. "Se tenho interesse em algum, vou atrs. Se o homem for meio frouxo e a mulher tambm no chegar, acaba chupando o dedo. Se sabe o que quer, tem que ter coragem."

No apenas na hora da paquera que as mulheres andam tomando as rdeas. No caso de Bruna, as travas inexistem tambm na cama. "Fico super vontade para falar de tudo. Eu no estou ali toa. Digo 'Faa isso, faa aquilo, trabalhe assim'. Se eu no explico como gosto, como ele vai saber?", questiona. Lusa Castro tambm adepta das dicas na hora do vamos ver. "Rola sim dar uns toques do que eu mais gosto. J consegui atingir o orgasmo quatro vezes com um cara que conheci na mesma noite", comenta Lusa. Essa segurana sexual demonstrada pelas mulheres hoje enfatizada pela psicloga com especializao em terapia sexual Semramis Prado. "A mulher sempre viveu na passividade, sujeita s decises dos homens. Agora, ela coloca ao companheiro o que no gosta, se ele ejacula rpido, se no sabe tocar bem nela e impe o seu ponto de vista. Elas no se permitem mais viver insatisfeitas", explica.

Em meio a toda essa conquista do prazer, Silvana Melo refora a necessidade da busca pelo equilbrio. "H uma presso muito grande em cima da performance sexual. No apenas masculina, mas tambm feminina. A mulher tem que ter mltiplos orgasmos, encontrar o ponto G e toda as outras letras do alfabeto", refora. As especialistas alertam para outro ponto: quantidade versus qualidade. O que seria melhor? Cinco parceiros ou apenas um que lhe satisfizesse plenamente mesmo sem amor envolvido? "Cada uma deve saber o que melhor para si. Se quer ou no se vincular a algum", comenta Semramis. Silvana completa o raciocnio: "Tem que pensar no que faz a mulher feliz. Que prazer se busca e o que se tem em troca", reflete. "No costumo ficar com mais de um cara. Melhor um gente boa que beija bem do que trs que falam gua a noite toda", compara a designer Fernanda Bormman*, 29. Uma pergunta que as mulheres devem estar se fazendo agora : "Em que lugar do Recife tem essa variedade to grande de homens?" Para Fernanda, Lusa e Bruna, a situao ideal surge em lugares onde h a combinao de dana, escuro, msica alta e luzes piscantes. As meninas orientam: na hora da caa, sempre melhor ficar com amigos ou amigos dos amigos. "Geralmente, s fao o trajeto festa-motel com quem j tenha ficado antes. Nesses casos, supertranquilo, natural e instigante", conta Fernanda. "Se voc est segura e o cara legal, as coisas rolam naturalmente, principalmente se ele tiver uma pegada boa e papo interessante", acrescenta.

A questo da segurana , alis, ressaltada pelas especialistas. " preciso ter cuidado. Algumas pessoas se arriscam em situaes desnecessrias", alerta Semramis. "Quem quer vivenciar o sexo dessa forma precisa cuidar de si mesmo e no ter aquele pensamento 'comigo no vai acontecer nunca'. Camisinha sempre", completa Silvana. Conselho anotado? *nomes fictcios


A jornalista Laura Amorim*, 22 anos, sempre teve vontade de fazer strip-tease e danar sensualmente com movimentos hipnticos, revelando, aos poucos, partes do corpo. Deixando a vergonha no quarto do lado, ela decidiu procurar novas meios de alcanar e propiciar prazer, inscrevendo-se em curso de toques sensuais. Strip, tcnicas de seduo, massagens sensuais e ginstica facial para fazer um efetivo sexo oral foram alguns dos pontos abordados nas aulas, que tiveram como material de apoio meias trs-quartos, salto alto, saia e blazer. "Estava com um pouco de vergonha, mas tinha at grvida e me e filha aprendendo juntas. Todo mundo estava confortvel", conta.

Segundo a empresria Katharina Wanderley, que comanda o sex shop Toque de Pecado com a scia Lana Menezes, as turmas so fechadas para apenas oito alunas, j para deix-las tranquilas. Localizada na Zona Norte, a loja oferece cursos de toque sensual com aulas sobre utilizao de gel e leo. A tcnica do pompoarismo, que consiste na contrao e relaxamento dos msculos circunvaginais, tambm tratada. Vrios outros estabelecimentos investem no segmento. No Parnamirim, a loja O Quarto realiza aulas que ensinam tcnicas de danas sensuais na cadeira, no cho e no colo do parceiro. H ainda palestras sobre sexualidade.

Palestras tambm so o ponto forte do sex shop Barbarella, em Boa Viagem. A empresria Cibele Moreira mantm o estabelecimento h seis anos e promove eventos exclusivos para as clientes. "Organizamos uma tarde de comes e bebes para apresentar as novidades", conta. Tudo para ajudar a mulherada a descobrir como atiar o teso


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Sexo um dos melhores assuntos para dar risada e conversar com amigas na mesa do bar, no sof de casa, na pausa do almoo, na manicure, e at nos intervalos das aulas. No seria diferente tambm no meio virtual. O site Casal sem vergonha (www.casalsemvergonha.com.br), atualizado pelo publicitrio Emerson Viegas, 27 anos, e pela tradutora Jaqueline Barbosa, 22, completa um ano falando de sexo e relacionamentos. Com uma mdia de 1 milho e 300 mil visualizaes por ms, a pgina se prope a quebrar tabus e dar um empurrozinho "para muita gente que desperdia a chance de ser feliz e viver com mais prazer", como descreve Jaqueline. >Um dos destaques a sesso Consultrio sem vergonha, veiculada aos domingos. "Reservamos uma hora para conversar ao vivo com os leitores pelo livestream. Escolhemos um tema, eles mandam perguntas e comentam", conta.

Outra que tambm usa a tecnologia a favor do prazer a blogueira Tatiane Ferreira (http://acidezfeminina.com.br), que adotou o pseudnimo Acid Girl. A garota criou at a hashtag #sexta100calcinha no Twitter para incentivar as moas a sarem sem a roupa de baixo. "A ideia veio quando minha ginecologista comentou que dormir sem calcinha fazia bem para o pH vaginal", comenta. "As mulheres ganham na sade e os homens, no fetiche", diz.

Alm do Twitter, Tatiane utiliza o YouTube como ferramenta para falar sobre sexo. "Tenho 32 vdeos publicados, com uma mdia de 220 mil visitas", calcula. Entre os temas: mulheres e filme porn, e ainda traio. O site faz tanto sucesso que o vdeo mais acessado somou 2 milhes de cliques. E j ocorreu at pedido de casamento por e-mail. Algum tem dvida que o tema d o que falar?


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