Primeiro do turno Brasileiro da série B

Campanha do Náutico no primeiro turno

A torcida do Náutico tinha motivos de sobra para desconfiar do time que iniciaria a Série B no dia 21 de maio. O time fora alijado da final do Campeonato Pernambucano e teve que se submeter a torcer por um rival histórico, o Santa Cruz, para não ver seu maior orgulho ser igualado por outro rival cententário: o Sport. Deu certo e o tão amado hexacampeonato foi mantido.

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Wladmir Paulino

A torcida do Náutico tinha motivos de sobra para desconfiar do time que iniciaria a Série B no dia 21 de maio. O time fora alijado da final do Campeonato Pernambucano e teve que se submeter a torcer por um rival histórico, o Santa Cruz, para não ver seu maior orgulho ser igualado por outro rival cententário: o Sport. Deu certo e o tão amado hexacampeonato foi mantido. Mas o que viria pela frente? Vários jogadores, que diga-se de passagem, pouco acrescentaram, foram embora, como Willians (meia) e Deyvid Sacconi (meia). O artilheiro no Estadual, Ricardo Xavier, estava machucado.

Foi assim que os alvirrubros iniciaram a campanha logo diante do time que se tornaria sensação da competição, a Portuguesa. A Lusa foi impiedosa e aplicou um sonoro 4x0 com a facilidade que o placar sugere. Choveram críticas, inclusive pedidos de demissão do recém-contratado treinador.

Some-se a esse clima ruim uma proposta do Vitória-BA ao meia Eduardo Ramos. O jogador já estava desgastado desde a reta final do Pernambucano quando seu pai, Carlos Martins, acusou o Sport de oferecer suborno para o atleta não enfrentar o time rubro-negro nas semifinais. Depois de muito vai-não vai, Eduardo ficou. Mas a indefinição o levou ao banco de reservas no segundo jogo, contra o Goiás, nos Aflitos. Ele entrou no segundo tempo e marcou o gol da vitória por 1x0.

A vitória pelo placar mínimo só fez com o que os temerosos - que ainda eram maioria na época - aumentassem a certeza de que o timbu não iria muito longe. Imagine o que aconteceu na rodada seguinte, novamente em casa. O Náutico abriu 2x0 sobre o Bragantino e viu o adversário empatar no último minuto. Uma das principais críticas era para o setor ofensivo, que ainda não contava com Ricardo Xavier, em reta final de recuperação. Por isso, o compromisso seguinte tinha a vitória como obrigação, já que o adversário seria o Salgueiro. E os alvirrubros fizeram sua parte ao marcar 2x0.

O resultado deixou a equipe em oitavo lugar. O Paraná, próximo obstáculo, ainda estava no G4 e seria uma partida para começar a ganhar a torcida. Mas a formação que se consagraria mais tarde precisava de tempo para encaixar. Uma boa dose de falta de foco nos momentos cruciais também levou tudo a perder. Eduardo Ramos desperdiçou um pênalti quando o jogo estava 0x0. O Paraná abriu o marcador e, em outra penalidade, Peter deixou tudo igual. Críticas, vaias e xingamentos. Setores internos do próprio clube eram abertamente contra o treinador. Até o presidente do Conselho Deliberativo, André Campos, criticou o Lemos publicamente.

O panorama só ficaria mais nublado com a derrota para o ABC e o empate com o Duque de Caxias, ambos fora de casa. O segundo resultado foi ainda pior pois o time fluminense já segurava a lanterna - que não soltaria em nenhum momento - e no momento somava apenas seu décimo ponto. Detalhe: o Náutico só não perdeu por conta da grande atuação de Gledson.

O mês de junho chegava ao fim da pior maneira possível: décima posição, críticas de todos os lados e a constante iminência de demissão do técnico. Mas a diretoria bancou o comandante e viu o jogo virar a partir de julho. Primeiro com um 2x0 sobre o Guarani, nos Aflitos. Em seguida, a primeira vitória fora de Pernambuco: 2x1 no Icasa. Essa partida foi simbólica. O timbu tomou um gol de frente e teve forças para virar. Ao final da rodada estava perto do G4, com 16 pontos. O Paraná era o então quarto colocado, com 17. Para completar, o atacante Kieza lançou sua candidatura a artilharia.

Uma partida bastante movimentada garantiria a inédita terceira vitória seguida para o clube dos Aflitos. O adversário era o Americana, já em terceiro lugar. Aos 14 minutos do primeiro tempo, os zagueiros Ronaldo Alves e Thiago Gomes foram expulsos por trocarem empurrões e xingamentos. Os visitantes abriram o placar dois minutos depois. Os mesmos dois minutos foram necessários para o empate, com Kieza. Ele mesmo viraria o jogo. Mas o primeiro tempo terminou 2x2.

Na segunda etapa, aos 11, o Americana perdeu outro jogador. A torcida deu uma trégua e "entrou em campo". O Náutico aceitou o reforço de bom grado e partiu para cima, com mais um atacante, Ricardo Xavier. Porém, era a noite de Kieza, que fechou o placar em 3x2.

O jogo que poderia marcar o ingresso no grupo dos quatro para a Série A poderia vir fora, contra o Vila Nova. Mas a ofensividade do segundo tempo com o Americana virou cautela em demasia e Gideão teve que fazer das tripas coração para segurar o 0x0. O último compromisso do mês de julho seria em casa, contra o Vitória. Mais uma vez, Kieza foi o responsável pela vitória por 2x0 e o Náutico finalmente comemoraria o ingresso no G4. Não sem antes sofrer um baque. No dia anterior, o atacante Ricardo Xavier acertou sua saída dos Aflitos.

O sétimo jogo invicto foi o primeiro do mês de agosto. O Náutico recebeu o ASA e venceu por 1x0. Com dificuldade mas muita raça, característica que viraria um cartão de visitas da equipe dali por diante. Mesmo com um jogo a menos por causa do adiamento do Clássico dos Clássicos, o timbu manteve-se no G4. O confronto seguinte seria contra o velho rival, o Sport. Com uma postura tão recuada que chegou a ser apontada como covardia, o time da Rosa e Silva viu o adversário superior do primeiro ao último minuto e viu sua boa sequência ser quebrada com a derrota por 2x0. Mesmo assim, não deixou o grupo que iria à elite.

Já era sinal da "gordura" acumulada em julho. E permaneceu mesmo com o empate (0x0) diante do Barueri, na Arena Barueri, na sequência. Os alvirrubros só voltariam a vencer no dia 16 de agosto, fazendo 2x1 no São Caetano. Com dificuldade e reclamações de parte da torcida. Diga-se de passagem de forma injusta. No segundo jogo seguido, outro triunfo, desta vez mais folgado: 3x1 no Boa. A segunda vitória longe do Estado por pouco não veio em Campinas, no último compromisso do primeiro turno. O Náutico chegou a abrir 3x1 sobre a Ponte Preta. Mas a Macaca reagiu e arrancou o empate.

Terminava a primeira parte da Série B. E da preocupante goleada na estreia, o Náutico pulava para o terceiro lugar, com os mesmos 35 pontos da Ponte e apenas três abaixo da Portuguesa, a primeira colocada.

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