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Camiseta no lugar do vestido de noiva

Por Priscilla Dantas
Do caderno Família/JC

Dia 30 de março. Oito horas da manhã. BR-101 Norte. Um ônibus de viagem e uma van seguiam de Recife, com parentes e amigos, em direção a uma granja em João Pessoa. Romaria? Piquenique? Não. Todos estavam indo a uma cerimônia de casamento para lá de diferente. Enquanto isso, os noivos, Fernando e Fabiana Cavalcanti, já casados no civil e prontos para a festa, terminavam de decorar com flores as mesas do casório, arrumadas embaixo de um mangueiral.

Quando os convidados chegaram, o fogo do churrasco já estava aceso, as cervejas devidamente geladas e o caldinho da feijoada sendo servido. No repertório musical, muito pagode. “Escolhemos fazer a comemoração numa granja porque gostamos muito do clima campestre. Além disso, minha esposa é de João Pessoa, eu moro na Paraíba há anos e a minha família é do Recife. Por isso, tínhamos que fazer algo demorado, que desse para matar minha saudade e agradasse a todos”, conta Fernando.

No entanto, os adeptos do bucolismo não fugiram dos padrões apenas nos quesitos locação e comes e bebes. O figurino dos noivos também aderiu à originalidade. “Como a proposta da festa era de descontração, decidimos optar por uma roupa em que pudéssemos ficar à vontade. Então, mandamos fazer duas camisetas estampadas com uma foto da gente e um poema que conheço desde os meus 15 anos”, disse o marido, lamentando o fato de não ter realizado uma cerimônia religiosa. “Infelizmente é bem difícil de a igreja fazer casamentos fora das capelas. Mesmo assim, fomos receber uma bênção na nossa paróquia.”

PÍER – Os ‘pombinhos’ Marcos e Ana Paula de Britto revelam que não se arrependem de terem trocado a igreja pelas margens do Capibaribe. Isso mesmo. Eles casaram diante de uma das mais pitorescas paisagens da cidade. Ana Paula, vestida de noiva, chegou ao Marco Zero, no último dia 21, por volta das 20 horas, a bordo de um Lincon modelo 1949. Ao descer do veículo, embarcou num catamarã, decorado com flores, fitas e tules. De lá, seguiu em direção ao Cais Cinco Pontas.

Antes da atracagem, o barco que vinha tocando músicas clássicas, buzinou bastante para marcar a chegada da noiva. Ao descer do catamarã, Ana Paula, pisando em pétalas de rosas, foi recebida pelo marido no ancoradouro, que a levou para a recepção. "Queríamos fazer uma coisa que ficasse em nossos corações durante muito tempo. Por isso, optamos por uma cerimônia criativa. Procuramos um padre para ir ao local, mas não conseguimos autorização. Só casamos no civil. Mas estamos muito satisfeitos", revela Ana Paula.

POR UMA JUSTA CAUSA - Por considerar o matrimônio um sacramento, a Igreja Católica prefere não realizar cerimônias fora das paróquias. De acordo com o bispo auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife, D. Fernando Saburido, cabe a cada pastoral julgar o pedido dos noivos. “A igreja é o local mais digno para esse tipo de celebração. No entanto, se o pároco achar que o motivo e a locação escolhida são coerentes, ele pode pedir uma lincença para a Cúria e, se autorizado, realizar o enlace em outro local.”

O casal Múcio e Anja Seller Guimarães, que juntaram as escovas de dente há seis meses, conseguiram que um padre realizasse o seu casamento numa pequena igreja à beira-mar. Eles elegeram a capelinha de Maria Farinha como o cenário ideal para o matrimônio. “Queríamos uma celebração diferente, mas com a bênção da igreja. Por isso, escolhemos a capela. Já conhecia o local, porque tenho uma casa de praia por lá, onde realizamos a festa de recepção. Por ficar mais bonita durante o pôr-do-sol, colocamos o horário do casamento para as 17h. Decoramos a igreja e a festa com motivos litorâneos. Chamamos poucos convidados. Na hora do sim, acho que o clima de simplicidade fez todo mundo chorar", conta Múcio, que foi surpreendido na saída da igreja com um presente da sua esposa: uma pomba branca.


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