Três de fevereiro de 1914. Dezesseis de outubro de 2011. Noventa e sete anos que separam o nascimento do renascimento do Santa Cruz. Foi neste domingo de muito sol no Recife que o time vermelho preto e branco e sua legião de adoradores começaram a sair das cinzas com o empate por 0x0 diante do Treze no Arruda. Pouco importa que o jogo tenha sido feio, com muitas faltas e sem gols. O que vale nessa hora é o coração muito mais do que os pés, o instrumento de trabalho do futebol. E coração foi o que não faltou para Tiago Cardoso, Zé Teodoro, Weslley, Nattan... Apenas alguns dos heróis que ascenderam definitivamente ao panteão de heróis corais.

12º Jogo

16/10 - Santa Cruz 0x0 Treze

Santa espanta o azar, empata e se classifica para a Série C

Depois de seguidos rebaixamentos, o torcedor coral finalmente pôde sorrir em uma competição nacional. Com o empate em 0x0 contra o Treze no Arruda...

11º Jogo

09/10 - Treze 3x3 Santa Cruz

Santa erra, reage e arranca 3x3 contra o Treze em Campina Grande

Do inferno à porta do céu em 90 minutos. Assim pode se descrever a situação do Santa Cruz após ter feito um péssimo primeiro tempo contra o Treze...

10º Jogo

01/10 - Coruripe 0x0 Santa Cruz

Santa Cruz segura o Coruripe, se classifica e está a dois jogos da Série C

O Santa Cruz garantiu a classificação para as quartas de final da Série D com um empate sem gols contra o Coruripe-AL, na cidade de Coruripe-AL, na noite deste sábado.

9º Jogo

25/9 - Santa Cruz 1x0 Coruripe

Santa Cruz abre vantagem mínima, e a decisão será em Coruripe

Arrudão com 44 mil pessoas. Time escalado de forma ofensiva, com três meias e um volante. Energias positivas e expectativa para tentar "decidir" o confronto com o Coruripe...

8º Jogo

18/9 - Santa Cruz 2x1 Alecrim

Santa Cruz vence e pega o Coruripe no primeiro mata-mata da Série D

O Santa Cruz voltou a jogar melhor no segundo tempo e construiu a vitória por 2x1 sobre o Alecrim neste domingo (18), no Arruda...

7º Jogo

11/9 - Guarani-CE 2x1 Santa Cruz

Santa Cruz joga mal e perde para o Guarani-CE por 2x1

Jogando de maneira recuada e com um jogador a menos durante todo o segundo tempo, o Santa Cruz acabou perdendo para o Guarani-CE por 2x1 no estádio Almeidão em...

6º Jogo

04/9 - Santa Cruz 1x0 Porto

Santa Cruz faz 1x0 no Porto e lidera grupo 3

Num segundo tempo bem mais inspirado que o primeiro o Santa Cruz construiu sua vitória por 1x0 sobre o Porto, em jogo válido pelo grupo 3 da Série D do Campeonato Brasileiro.

5º Jogo

28/8 - Santa Cruz-RN 0x0 Santa Cruz

Santa Cruz cria, mas erra nas finalizações e fica no 0x0 com o xará potiguar

O Santa Cruz voltou a pecar nas finalizações e, por isso, não conseguiu sair do 0x0 diante do Santa Cruz-RN, no estádio Almeidão, em João Pessoa.

4º Jogo

14/8 - Santa Cruz 1x0 Santa Cruz-RN

Tricolor vence no sufoco e toma a liderança do xará potiguar

No duelo dos Santa Cruz, de Pernambuco e do Rio Grande do Norte, estava em jogo a liderança do grupo na Série D. Em uma partida com dois tempos disintos...

3º Jogo

31/7 - Porto 2x2 Santa Cruz

Porto arranca empate nos acréscimos diante do Santa Cruz: 2x2

Num jogo em que prevaleceram a raça e a força física, Porto e Santa Cruz ficaram no empate por 2x2 no estádio Mendonção, em Belo Jardim, pela terceira rodada...

2º Jogo

24/7 - Santa Cruz 0x0 Guarani-CE

Santa Cruz pressiona muito, mas empata sem gols com o Guarani-CE

O Santa Cruz tentou de tudo, mas não conseguiu fugir da sina de sempre tropeçar no Arruda no início da Série D.

1º Jogo

17/7 - Alecrim 1x3 Santa Cruz

Corais invadem João Pessoa e vencem Alecrim por 3 a 1

O Santa Cruz invadiu João Pessoa, dominou o Alecrim-RN e conquistou a primeira vitória na Série D 2011 com um 3 a 1, inquestionável.

O cérebro

José Teodoro Bonfim Queiroz não teve vida fácil no Santa Cruz. Chegou no Arruda para montar uma equipe forte e empenhada a tirar o clube da Série D do Campeonato Brasileiro. Esse sempre foi a principal meta. Mas Zé Teodoro conseguiu. Reestabeleceu o orgulho do torcedor ao conquistar o título de campeão pernambucano, algo que não acontecia há seis anos. E para coroar esse trabalho, o Santa conseguiu o seu grande objetivo que foi fugir da Série D.

A missão de Teodoro não foi fácil. O treinador participou diretamente da formação da equipe. Era preciso convencer os atletas a disputar o Estadual e também uma competição deficitária como a Série D. Era preciso contratar atletas que tivessem compromisso com o Tricolor. E assim foram chegando Jeovânio, Weslley, André Oliveira, Leandro Souza, Chicão, Eduardo Arroz, Ludemar, Fernando Gaúcho, Thiago Cunha. Atletas que se empenharam os noventa minutos de todas partidas realizadas pelo Tricolor. E o prêmio veio com o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro.

Por conta das dificuldades financeiras, o treinador também fez algo importante para o clube: passou a dar confiança a jogadores das divisões de base. O trabalho foi tão sólido que atletas que já antes questionados pela torcida passaram a se transformar em peças importantes no time. Na campanha do Estadual, Memo, Everton Sena, Natan, Renatinho e Gilberto foram as estrelas. Na Série D, o Santa perdeu Renatinho, que se contundiu, e Gilberto, negociado para o Inter-RS. No entanto, Teodoro conseguiu valorizar Jéferson Maranhão.

Em todo caminho percorrido pelo Santa Cruz na competição, o técnico Zé Teodoro pregou a humildade. Foi sua maior característica. "Não ganhamos nada". "Vamos manter os pés no chão". Essas foram as frases mais proferidas pelo treinador após importantes vitórias na temporada. Até mesmo após a conquista do título estadual foi assim. Afinal, para Teodoro, a principal meta sempre foi o acesso de divisão do futebol nacional. O desabafo da alegria só aconteceu no dia 15 de outubro. O dia que pode ser considerado um divisor de águas para o clube.

Assim como foi o Pernambucano, o Santa Cruz encontrou dificuldades na competição nacional. Primeiro, foi segurar Teodoro no Arruda. Ao final do Estadual, o comandante foi assediado por diversos clubes. Mas preferiu ficar e tocar o projeto. Depois, veio a questão técnica. Mesmo mantendo a base que conquistou o Estadual, o Tricolor perdeu algumas peças e o time precisou encontrar uma nova forma de jogar. O Santa Cruz passou a ser a referência da competição, o time a ser batido. E, por isso, teve que encontrar retrancas ferrenhas. A ansiedade da torcida, que queria ver o time atropelando os adversários. Mesmo vencendo, o time ouviu vaias. E Zé Teodoro entrou em ação para ser o psicólogo do elenco. Apoiou e motivou. O time conseguiu manter o foco e brigar pelo seu objetivo mesmo encarando muitas adversidades.

"Encaramos a partida contra o Treze fosse o jogo das nossas vidas. Porque de nada adiantaria todo trabalho feito na temporada se perdéssemos essa decisão. Para você ver, Everton Sena falhou no primeiro jogo e todo mundo criticou o jogador, dizendo que ele não servia. Esqueceram o que ele fez para o time na temporada. Mas sempre confiei nele", disse o treinador. "Santa e Treze mereciam estar na Série C. Mas nos enfrentamos e conseguimos superar".

Ao final da temporada, após a conquista do título estadual e da vaga na Série C em 2012, a diretoria vai ter que trabalhar para renovar o contrato do técnico. "A preferência é continuar no Santa Cruz. EStou feliz aqui. Mas eu sou treinador de projeto. A gente precisa conversar e ver qual será o projeto do clube.

Thiago Cunha

A relação do atacante Thiago Cunha com o Santa Cruz assemelha-se às grandes novelas. De um flerte inocente a um namoro promissor. Deste namoro ao assédio de terceiros, o famoso terceiro vértice do triângulo amoroso. Daí para o divórcio turbulento. E, numa rápida passagem de tempo, o reencontro triunfal. O jogador pisou no Arruda pela primeira vez em 2008. Com seus gols evitou um vexatório rebaixamento para a Série A2 do Pernambucano. Depois saiu em meio a um tiroteio nos tribunais da Justiça do Trabalho só resolvido na segunda volta, para o Estadual deste ano.

Na primeira investida nos corais, Cunha marcou oito gols em seis jogos no Estadual. A alcunha Capixaba estava atrelada ao seu nome. Foi um dos poucos a escapar do fiasco protagonizado pelo time, relegado a disputar o chamado Hexagonal da Morte. Esse pequeno torneio dentro da competição decretaria os dois rebaixados para a segunda divisão no ano seguinte.

O Santa escapou da degola e contava com Thiago no Brasileiro. Na época, o clube iria disputar pela primeira vez a mesma Série C para qual credenciou-se neste domingo. Mas a média de gols superior a um por partida chamou a atenção do Palmeiras. Como o Santa vivia grave crise administrativa e financeira muitos salários não eram pagos. E o jogador resolveu a questão fora das quatro linhas. Acionou o clube na Justiça do Trabalho e ganhou uma liminar para vestir a camisa que bem entendesse.

Ele foi embora, abdicou do "Capixaba" e virou Thiago Cunha. A Jusiça também o perseguiu ao ser acusado de falsidade ideológica. Depois de rodar meio mundo de clubes iniciou uma nova paquera com o Santa Cruz no final do ano passado. A essa altura, o Tricolor já o havia derrotado na questão judicial.

A relação consumou-se no Campeonato Pernambucano, quando Cunha iniciou a competição como um bólido. Em sete jogos marcou seis gols, inclusive nos dois clássicos que atuou - derrota para o Náutico e vitória sobre o Sport. Mas um estresse no ligamento colateral medial do joelho atrapalhou todos os planos. Ele só voltaria nos jogos decisivos, incluindo a partida que deu o título ao Santa.

Mesmo assim, o tempo perdido cobrou seu preço. Nem mesmo a transferência de Gilberto para o Internacional e a dispensa de Landu abriram espaço fácil para o jogador. Kiros e Flávio Recife foram contratados. Durante a competição vieram Ludemar, Ricardinho e Fernando Gaúcho. A rotatividade fez com que o ataque tricolor não engrenasse na Quarta Divisão.

Isso até o primeiro "dono" da camisa nove entrar em ação. O único vacilo foi uma expulsão boba contra o Guarani-CE, na única derrota do time na competição nacional. Depois disso, ele voltou a ser decisivo, inclusive marcando o gol que mais tarde classificaria o time para as quartas de final. Nas quartas, redes balançadas novamente no heróico empate arrancado contra o Treze, em Campina Grande.

Leandro Souza

O Santa Cruz entrou nas quartas de final com uma defesa digna de campeão. Apenas seis gols tomados nos dez jogos anteriores. Ainda que tenha tomado três no primeiro round com o Treze, algo inédito até então, a muralha arquitetada pelo técnico Zé Teodoro não teve sua competência posta em dúvida. Na base da retaguarda está o zagueiro Leandro Souza, um dos atletas que mais entrou em campo nesta temporada e herdeiro direto do cargo de xerifão após a saída de Thiago Mathias para o Ceará.

E Leandro segue à risca a função como reza a tradição: tem o poder de orientação de Roberto (2005) e a seriedade de Janduir (1999), só para citar dois zagueiros que se destacaram nos dois últimos acessos do Santa para a Série A. Uma prova dessas duas características, aliada à qualidade, é fato de ele ter atuado pendurado com dois cartões amarelos em duas partidas decisivas: a segunda contra o Coruripe e domingo passado.

De poucas palavras como convinha aos bons guerreiros espartados, Leandro sempre defendeu a tese de que o atual elenco sairia vencedor se tivesse que decidir sua sorte em casa. "Foi assim no estadual, quando nós fomos cobrados, mostramos a nossa cara. Porque os jogadores que estão aqui gostam de jogar assim, em momentos decisivos, onde a gente tem que dar o nosso melhor", destaca.

Nesta Série D ele só ficou de fora duas vezes. Na vitória sobre o Porto por 1x0 no Arruda e na partida que classificou os corais para as quartas de final em Coruripe. Entrou em campo com o Treze sem preocupação e isso refletiu-se em sua atuação - bem diferente do companheiro Éverton Sena. A receita foi a mesma adotada durante o Pernambucano: conhecer as características dos atacantes adversários e tentar sempre antecipar as jogadas.

Guerreiros

Elenco tricolor

André Oliveira Dutra Everton Sena Fernando Gaúcho
       
Flávio Recife Chicão Geovânio kiros
       
Leandro Souza Ludemar Memo Natan
       
Renatinho Roma Thiago Cunha Thiago Cardoso
       
Weslley Treinador - Zé Teodoro    
André Oliveira
Nome: André Farias Oliveira
Posição: Zagueiro
Nascimento: 10/02/1979 (32 anos)
Naturalidade: Macaé/RJ
Peso: 83 kg
Altura: 1,83 m
Dutra
Nome: Antônio Monteiro Dutra
Posição: Lateral esquerdo
Nascimento: 11/08/1973 (38 anos)
Naturalidade: Duque Bacelar/MA
Peso: 70 kg
Altura: 1,69 m
Everton Sena
Nome: Antônio Everton Sena Barbosa
Posição: Zagueiro
Nascimento: 14/06/1991 (20 anos)
Naturalidade: Recife/PE
Peso: 67 kg
Altura: 1,83 m
Fernando Gaúcho
Nome: Fernando da Silva Jaques
Posição: Atacante
Nascimento: 12/01/1980 (31 anos)
Naturalidade: Porto Alegre/RS
Peso: 80 kg
Altura: 1,80 m
Flávio Recife
Nome: Flávio Augusto do Nascimento
Posição: Atacante
Nascimento: 25/06/1986 (25 anos)
Naturalidade: Recife/PE
Peso: 75 kg
Altura: 1,75 m
Chicão
Nome: Francisco Alves dos Santos
Posição: Volante
Nascimento: 11/07/1981 (30 anos)
Naturalidade: Marabá/PA
Peso: 68 kg
Altura: 1,80 m
Jeovânio
Nome: Jeovânio Rocha do Nascimento
Posição: Volante
Nascimento: 11/11/1977 (33 anos)
Naturalidade: Goiânia/GO
Peso: 78 kg
Altura: 1,79 m
Kiros
Nome: Kiros Stanlley Soares Ferraz
Posição: Atacante
Nascimento: 21/0//1988 (23 anos)
Naturalidade: Orocó/PE
Peso: 86 kg
Altura: 1,95 m
Leandro Souza
Nome: Leandro Rosa Souza
Posição: Zagueiro
Nascimento: 24/02/1986
Naturalidade: Rio de Janeiro/RJ
Peso: 80 kg
Altura: 1,87 m
Ludemar
Nome: Ludemar Pereira Barros
Posição: Atacante
Nascimento: 01/06/1979 (32 anos)
Naturalidade: Aragarças/GO
Peso: 73 kg
Altura: 1,77 m
Memo
Nome: Emerson Gomes de Moura
Posição: Volante
Nascimento: 14/02/1988 (23 anos)
Naturalidade: Bonito/PE
Peso: 71 kg
Altura: 1,79 m
Natan
Nome: Natan Carneiro de Lima
Posição: Meio de Campo
Nascimento: 08/11/1990 (20 anos)
Naturalidade: Pé de Serra/BA
Peso: 67 kg
Altura: 1,71 m
Renatinho
Nome: Renato Gonçalves de Lima
Posição: Meio de Campo
Nascimento: 14/09/1991 (20 anos)
Naturalidade: Serra Talhada/PE
Peso: 56 kg
Altura: 1,57 m
Roma
Nome: Alex Adolfo de Jesus
Posição: Lateral direito
Nascimento: 10/05/1983 (28 anos)
Naturalidade: Cabo de Santo Agostinho/PE
Peso: 73 kg
Altura: 1,73 m
Thiago Cunha
Nome: Thiago dos Santos Cunha
Posição: Atacante
Nascimento: 22/04/1985 (26 anos)
Naturalidade: Volta Redonda/RJ
Peso: 69 kg
Altura: 1,77 m
Tiago Cardoso
Nome: Tiago Cardoso dos Santos
Posição: Goleiro
Nascimento: 08/05/1984 (27 anos)
Naturalidade: Altos/PI
Peso: 82 kg
Altura: 1,86m
Weslley
Nome: Weslley Morais Sousa
Posição: Meio de Campo
Nascimento: 07/06/1982 (29 anos)
Naturalidade: Inhuma/PI
Peso: 71 kg
Altura: 1,72 m
Zé Teodoro
Nome: José Teodoro Bonfim Queiróz
Função Treinador
Nascimento: 22 e novembro de 1963 (47 anos)
Naturalidade: Anápolis/GO

2011 O ano da virada

Após cinco anos de sofrimento, 2011 é o ano da virada na história do Santa Cruz. Conquista do Campeonato Pernambucano, estabilidade nas finanças, compra de terreno para construção do centro de treinamento, resgate da confiança, início da pavimentação de uma longa estrada rumo à elite do futebol brasileiro. Se tudo der certo, no ano do centenário do clube, 2014.

A confirmação do acesso à Série C é fruto de um trabalho iniciado ainda em 2010, desde a campanha para a presidência do Santa Cruz. O processo foi conduzido pelo ex-presidente, Fernando Bezerra Coelho, em seus últimos dias de mandato. Bezerra Coelho não conseguiu resultados no futebol, mas ajudou na articulação do nome de Antônio Luiz Neto, em torno do qual se aglutinaram algumas lideranças corais.

Desde o princípio, a gestão Antônio Luiz Neto obteve mais acertos do que erros. Ele teve ao seu lado Joaquim Bezerra, vice-presidente executivo, Albertino dos Anjos e Constantino Júnior, diretores de futebol, e o ex-jogador Sandro, que veio para ser gerente de futebol, mas foi efetivado como auxiliar-técnico de Zé Teodoro. A contratação do técnico teve forte influência de Sandro, e se mostrou bastante acertada.

Houve acerto na maioria das contratações. Houve oportunidade para os pratas da casa, que foram conquistando espaço aos poucos. Mas o principal destaque extracampo foi o equilíbrio nas contas do clube, com o pagamento regular dos salários tanto da equipe quanto do administrativo. Não se ouviu falar em atrasos salariais em 2011. Um grande avanço em comparação com as últimas gestões.

Foi em sintonia dentro e fora de campo, com um técnico capaz de ter na mão o grupo de jogadores, com uma diretoria presente, que o Santa Cruz realizou um excelente campeonato estadual. Muito se falava do Náutico e do Sport, pela possibilidade de conquista do hexa pernambucano pela equipe rubro-negra. Mas o Santa Cruz pouco a pouco mostrou capacidade de ser campeão.

Largada com seis vitórias seguidas. Disputa pela liderança com o Náutico até a última rodada da fase de classificação, incluindo vitórias sobre o Sport no Arruda e na Ilha do Retiro. Na semifinal, atropelou o Porto. E na final não deu chances para o Sport. Conquistou o título em cima do arquirrival após vitória de 2 a 0 fora de casa e derrota de 1 a 0 no Arruda, que voltou a ver o Santa campeão.

Essa conquista foi fundamental para que o Santa Cruz entrasse fortalecido na Série D. Criou um escudo para a pressão que haveria naturalmente em cima do elenco, a comissão técnica e a diretoria. Foi possível trabalhar com tranquilidade, acreditando na capacidade do grupo, reforçando em posições carentes como o ataque.

FUTURO

Se terminou as últimas temporadas sem contrato com quase todos jogadores, agora será diferente. Para 2012, o Santa Cruz já poderá contar com sete atletas, sendo seis bastante utilizados durante este ano — o zagueiro Everton Sena, os volantes Memo e Chicão, os meias Wesley, Natan e Renatinho. Desses, Wesley é uma peça fundamental para a equipe. O sétimo é o jovem Jefferson Maranhão, que entrou pouco mas mostrou alguma qualidade.

Outro ponto importante é que o Santa Cruz comprou o terreno em que vai construir o seu centro de treinamento. A semente de um futuro melhor. O pagamento ainda está sendo feito, e a construção ainda não tem data marcada para início. Mas certamente se tornará o assunto da vez na agenda coral.

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